sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Poema

Prevejo
que se um dia escrever
o poema perfeito
isso
me parecerá
abjeto

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Férias de verão

O I Blog Your Pardon encerra para férias. Voltará em setembro, em dia incerto, porque a vida é mesmo assim. Até lá, como é costume, um ou outro post surgirá por aqui. Basta aparecer, para dar conta do que lhe digo agora. Até breve, então. E boas férias.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eleanor Friedberger

Sempre gostei dos The Fiery Furnaces, embora não seja uma banda para se ouvir todos os dias. A novidade é que agora a mana Eleanor tem disco a solo, e é francamente mais Pop do que os discos da banda que tem com Matthew, seu irmão. Tudo sem pisar a linguagem mainstream, felizmente. Coisa fina, com muito bom gosto indie, como convém. Boas notícias, portanto. Tão boas que Eleanor Friedberger vai connosco para férias. A minha mulher não se incomoda, apesar de tanta beleza junta num só corpo, e numa só voz. Last Summer é o meu primeiro summer com Eleanor Friedberger. Estou ansioso. Partimos já amanhã.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Anos 2000


Desde o início deste novo século que Milton Nascimento tem espalhado a sua voz por projetos de outros artistas. Quem conhece um pouco da história do compositor e cantor mineiro, sabe que Milton nunca se escusou a ideias deste tipo, e sempre albergou na sua própria obra várias vozes e participações de muitos outros companheiros de profissão. O que se apresenta agora, saído recentemente no Brasil, é este Milton Nascimento - Anos 2000, cujo repertório do disco faz crescer água na boca.

1. Imagine (John Lennon) - com Gilberto Gil
2. Coisa nº 8 (Navegação) (Mike Mine Blue) (M. Santos, R. Werneck e Nei Lopes)
3. Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense) - com Luiz Gonzaga
4. Angelus (Milton Nascimento) - com Leonardo Bretas
5. Sino, Claro Sino (Capiba e Carlos Penna Filho)
6. Milagre dos Peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant)
7. Caça à Raposa (João Bosco e Aldir Blanc)
8. Enfim S.O.S. (Sérgio Godinho) - com Sérgio Godinho
9. Encontros e Despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Simone
10. Cigarra (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Simone
11. Trem do Horizonte (Christiaan Oyens) - com Christiaan Oyens
12. Luamar (Gustavo Carvalho) - com Gustavo Carvalho
13. Raça (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Fafá de Belém
14. Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) - com Erasmo Carlos
15. Discovery (Lula Queiroga) - com Marina Machado
16. Planeta Sonho (Vermelho, Flávio Venturini e Márcio Borges) - com 14 Bis
17. Há de Ser (Jorge Vercillo) - com Jorge Vercillo
18. Circo Marimbondo (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - com Pedro Bernardo
19. I'd Have You Anytime (George Harrison e Bob Dylan)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poema

O coração bate
porque não sabe
fazer outra coisa
senão bater

E quando pára
não se apercebe
que já não é
tempo de aprender

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os sonhos não envelhecem

A cama de todos os sonhos, de todas as fantasias, de todos os prazeres. Fellini nunca lhe mudou os lençóis, mas a cama permanece imaculadamente limpa. Os sonhos não se conspurcam, porque os sonhos, na sua ingenuidade, não envelhecem.

* imagem de La Città Delle Donne, de Federico Fellini

sábado, 6 de agosto de 2011

Uma cena de filme

O Senhor Stein sentou-se na esplanada onde há muito, nas tardes de verão, gosta de beber algo refrescante. Depois de se acomodar e pedir o que desejava, reparou num indivíduo sentado no outro extremo da esplanada, lembrando-se imediatamente daquela cara, embora não do nome desse velho colega do tempo de liceu. Pouco depois, o indivíduo também reparou no Senhor Stein, e a troca de olhares entre ambos foi constante, tentando cada um deles disfarçar um pouco o embaraço típico dessas ocasiões, pelo que o Senhor Stein se levantou, pagou a sua conta e desapareceu por entre as pessoas que caminhavam, atarefadas, pela rua. Toda aquela cena o incomodou. Toda aquela cena era demasiadamente fassbinderiana para o seu gosto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

La Città Delle Donne

La Città Delle Donne é uma das últimas obras de Federico Fellini, e isso já quer dizer alguma coisa. A vertente onírica dos seus últimos trabalhos revela-se bem aqui. O sonho é o filme, e o filme é uma deambulação pela ideia do sonho. Pelo meio existem muitas mulheres com comportamentos libertários, feministas, e um homem de nome Snàporaz (que belo achado fonético!), interpretado por Marcello Mastroianni. O universo surrealista do filme não traz nada de novo ao espaço felliniano, mas a montagem da obra, a beleza de certos cenários, a música de Luis Bacalov, a loucura desregrada (passe o pleonasmo) dos 134 minutos de película, valem bem a pena. Gosto, muito particularmente, das tecituras que unem A Cidade das Mulheres a Oito e Meio, para mim o feito maior do cineasta italiano. São muitos os pontos concordantes entre as duas obras, e até algumas cenas - mas uma especialmente -, aproximam os filmes em questão. Numa altura em que o cinema vive na indecisão entre vários formatos, sendo o 3-D o filão mais recentemente explorado, ver La Città Delle Donne é um exercício retrô que muito me agrada. Viva Fellini!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Regimes

O prosador sofre de obesidade verbal. Já o poeta vive, quase sempre, num estrito regime vocabular.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Poema

Sei que ao poeta
se exige o sol
quando nas mãos
se encontra a sombra
do que é

Na mão que escreve a luz
das palavras no papel
há sempre um sonho de fé

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ziggy

Diz-se, sem grande surpresa minha, que este disco mudou a vida de toda a gente, embora nem toda a gente se tenha apercebido disso. A capa é icónica, o conteúdo também. Adoro a capa, adoro o disco, embora, e mais uma vez, tenha chegado a ele já bem lançado nos meus trintas... No fundo da Heddon Street, local da foto, ficava o primeiro night-club londrino, o famoso The Cave of The Golden Calf (aberto em 1912). Este pedaço de história ficava mesmo bem numa sala que fosse minha.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poema

Quando o poeta
faz um verso
pouco acontece
nada muda

Um verso é a voz
surda do tempo
que nele passou

Quando o poeta faz um verso
nada do que disse ali ficou