quarta-feira, 30 de outubro de 2013

As palavras que conheço

Sempre me aconselharam
que procurasse nas palavras
aquilo que nelas não existe
para que assim
se tornassem verdadeiras
em mim

Do conselho registei que não
há uma sequer que se dome
ao ponto de se mostrar do avesso
pelo que desconheço aquilo que são
do muito (que é tão pouco)
que me dão e que conheço

sábado, 26 de outubro de 2013

71 anos, hoje!


Vou dar-te os parabéns mais logo, Milton. Duplos: pelo dia, e pelos 50 anos de carreira.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Especial Blondie no Altamont!


O Especial Blondie no Altamont mereceu um logo igualmente especial. Foi feito pela Joana Ray, a quem muito agradeço, embora não a conheça. Fica o logo, e o convite para passarem por lá. Vale mesmo a pena!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A noite de Thais Gulin


  


Ontem foi a segunda vez que vi ao vivo um show de Thais Gulin. A primeira havia sido em maio, no Espaço Brasil, na Semana Jóias da MPB, em que a cantora do Paraná dividiu a noite com a carioca Nina Becker. Em ambas as ocasiões, a mesma ideia permaneceu: Thais é uma artista em fomação. Para mim, que ganho a vida a dar aulas e a formar professores, a expressão em itálico é-me particularmente querida, porque nisso se vê claramente, e muitas vezes em embrião, algo que sabemos ser de enorme qualidade. Esse é, uma vez mais, o caso. Thais Gulin tem apenas dois discos de originais, e talvez essa seja a razão de nos ter dado, ontem, um show tão curto. Em pouco mais de 50 minutos, sem contar com os dois breves encores, Thais Gulin mostrou-se ao pouco público da Sala TMN (que a recebeu muito calorosamente, note-se) revelando presença personalizada, profissionalismo, simpatia e agrado em partilhar connosco a noite chuvosa lá de fora. Mas também revelou alguma timidez, algum nervosismo, que o seu ar de menina nem sequer tentou disfarçar. Antes assim. Foi mais sincero, o show. E foi bom, sem margem para dúvidas. Antes ainda do concerto começar, um dos momentos altos da noite aconteceu. Poucos deram por ele, tão distraído estava o público em conversas de copo na mão. Acompanhado por alguém que desconheço, o enorme Milton Nascimento entrou na sala, tranquilamente, e sem que qualquer aparato tivesse sido gerado. Parecia um comum mortal, e não a mega estrela que sabemos ser. Ver um ídolo de sempre passar a poucos metros de distância, mesmo que já tenha tido a oportunidade de falar com ele e de o cumprimentar efusivamente, mexe com qualquer pessoa, daí o registo desse acontecimento nestas linhas. Parece estar em boa forma, o bom e velho Milton, que se encontra em Lisboa para apresentar o show dos 50 anos de carreira, no Coliseu dos Recreios, no próximo sábado. Lá estarei, assim o desejo se concretize, para neste mesmo sítio vos dar conta de tudo. Mas vamos ao concerto da noite, então?
O concerto começou forte, com duas ou três canções de rajada, todas elas dignas de registo. "Ali Sim, Alice", canção que Tom Zé fez para Gulin (com direito a uma pequena história introdutória e explicativa da forma como a canção surgiu), revelou-se imensa pelos ares da sala, porque na verdade ela tem o toque de génio que o cantor e compositor de Irará costuma dar aos seus trabalhos. A música é divinal, e a letra um primor. Os versos cantados levam-nos de imediato para o universo aliciano de Lewis Carroll. "Água", do também grande Kassin, entrou de rompante, no seu ritmo (quase) frenético, e o público acompanhou, cantando o "pá, pá, pá, pá" do refrão. A versão que Gulin canta não tem a força da versão original (presente no disco Futurismo, de Kassin + 2), mas é muito equivalente à boa versão que o mestre Caetano levou ao palco no seu show Zii e Zie. Seguiu-se a velhinha "Little Boxes", de Malvina Reynolds, que o público português talvez conheça, uma vez que foi usada como tema de abertura da maravilhosa série televisiva Weeds, portagonizada pela ainda mais maravilhosa Mary-Louise Parker. A língua inglesa não desapareceu, e o que se ouviu a seguir terá deixado algo espantado o público menos atento, uma vez que Thais Gulin cantou "Alabama Song (Whisky Bar)", dos The Doors. A dupla Roberto e Erasmo Carlos também estiveram presentes com "Cama e Mesa", numa versão mais roqueira do que a original, e a interação com o público não se fez esperar. A plateia sabia a canção de cor, e cantou-a com Gulin, que na sua delicada e entusiasmante timidez, se mostrou feliz pela comunhão das vozes do público com a sua. "Hotel das Estrelas", de Jards Macalé e Duda Machado, foi outro grande momento do show, assim como a saudosa "Augusta, Angélica e Consolação", de Tom Zé. Era desta forma que terminava o show que Thais Gulin nos tinha reservado. Muitas palmas, assobios, pés no chão, e Thais voltava sozinha para interpretar, à capela, o tema título do seu segundo disco. Não foi brilhante, diga-se. Mas seguiu-se a assombrosa "Cinema Americano" (uma das duas canções que repetiu, embora com novidades pelo meio, através de citações várias), canção de Rodrigo Bittencourt presente no muito bom ôÕÔôôÔôÔ, de 2011. Um segundo e também breve encore fechou definitivamente o concerto. Lá fora ainda chovia. Para condizer com a noite escura, na Sala TMN já nenhuma estrela brilhava. 


* texto de reportagem para o site Altamont, que poderá ser visto (com mais fotos) ainda hoje, aqui.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Moleskine virtual


Acontece que, recentemente, tenho usado o tablet Samsung Galaxy Note 10.1 como ferramenta de trabalho, e diversão (talvez nem tanto por esta ordem, confesso). Não sou de descarregar muitas aplicações, pouco sou de jogos e brincadeiras afins, mas um ou outro produto têm-me deixado surpreso e muito satisfeito. Um deles é a app Moleskine. Um assombro de beleza e funcionalidade! Anda comigo para todo o lado, e uso-a com a frequência que a ocasião proporcionar. Estou encantado! E recomendo vivamente.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Poema

Talvez a morte não mereça
estes versos
este lembrá-la em permanência
talvez nem mesmo fosse necessário
socorrer-me dela
nesta urgência de palavras
que a tornam densa e viva

Mas a morte está aí
mesmo ao teu lado
com o seu braço no teu ombro
tão quieta (e tu tão acostumado)
que nem te incomoda a escrita
e nem te causa sequer
qualquer enfado

Mas devemos ter cautela
(direi mesmo algum cuidado)
em momentos indizíveis
como agora
ao escrevermos sobre a vida
que de cruel e ciumenta
julgue ter chegado a hora

domingo, 20 de outubro de 2013

Je vous écoute (II)


É crescente este gosto, embora sempre tenha havido em mim uma forte atração pela francofonia. Como resistir a tanta delicadeza, a tanto perfume cantado?  

sábado, 19 de outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Je vous écoute (I)


Os suspiros da canção francesa fazem cada vez mais eco em mim. Biolay, Delerm, Beaupain, Gainsbourg, Bashung, Camille e alguns outros: a vossa voz também é minha.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nervoso miudinho


Não é apenas o regresso de mais um álbum de Blake e Mortimer que está aqui em causa. O que acontece é que L'Onde Septimus será, tudo indica, uma espécie de continuação d'A Marca Amarela, livro publicado em 1956. Esse título, saído nos distantes anos 50, é somente o melhor de todos os trabalhos de Edgar P. Jacobs e da dupla de personagens que tão bem conhecemos, e um dos mais importantes acontecimentos de banda desenhada de todos os tempos. Por tudo isto, é óbvio que estou nervoso. Como poderia ser de outra maneira?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Clarice Falcão



Tens cara de menina francesa, Clarice. Mas o nome não engana. Se dúvidas ainda existissem, ouvir a tua voz, o teu sotaque cantado, esclareceria tudo e todos. Por isso eu sei que deves ser de Marte, de um local marciano e tropical ao mesmo tempo, ou de uma qualquer cidade grande, onde possa caber a tua voz e as tuas canções. Conheci-te ontem, e ando contigo ao meu lado há menos de 24 horas, por isso ainda tenho alguma dificuldade em te dizer o que penso. Mas qualquer dia sai, prometo! Entretanto penso no que queria dizer-te, e digo apenas o que posso. "Quem sabe a gente podia ser protagonista, talvez" é tudo aquilo a que me atrevo. Nem mais uma palavra. Afinal, estamos em situações diferentes: tu não me conheces, nem haveria interesse nisso. Eu não canto, eu não apareço em lado algum, eu apenas escrevo o que posso escrever, ouvindo-te sem parar. Talvez se fizéssemos um jogo curto, muito rápido, com as palavras que tu cantas ao meu ouvido... Talvez assim falasses comigo, mesmo sem me conheceres. Eu avanço, e falo por ti, usando as palavras que cantas:

"Ei, se eu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você
Você vai fugir a pé?
E se eu falar que você é tudo que eu sempre quis pra ser feliz
Você vai pro lado oposto ao que eu estiver?
Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia."


Agora termino. Fiquei envergonhado com o que me disseste, e estou corado. Vermelhinho, da cor de quem parece estar enamorado.

sábado, 12 de outubro de 2013

Poema

Hoje tenho tempo para matar

Armas prontas em segundos
que em minutos matam horas
de trabalho que duraram dias
a fazer e semanas a pensar

Matar o tempo
para no tempo me salvar

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Bordéus, uma cidade só para nós (V) - A imagem prometida


O prometido é devido. O galo abriu as asas para mim.
Os girondinos sabem receber como ninguém.

(ver post de 28 de setembro)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Lembrando Canções (XVI)


Queima, Baby - 14 Bis

(frames do filme Fahrenheit 415, de François Truffaut)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Bordéus, uma cidade só para nós (IV) - La Tête d'un Homme, ou talvez nem tanto assim)


Sempre que passávamos por esta praça, e foram muitas as vezes, vinha-me à cabeça o romance de Georges Simenon, intitulado La Tête d'un Homme. É que isto, no fundo, anda tudo ligado, e por vezes é impossível desligar. São tantas as palavras, são tantas as imagens, que muitas vezes as imagens reais juntam imagens e palavras que temos dentro. É fácil perceber, não é?

* Place de la Bourse. Escultura "The House of Knowledge", de Jaume Plensa.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Poema

Eu não posso rir
como nos livros ou
nos filmes
nem sequer
posso debruçar-me
no abismo
como faz um louco

(entre o riso
e a loucura
sobra a espessura
de sentir-me
pouco)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

domingo, 6 de outubro de 2013

Espera


Tenho um quarto, uma sala ampla, uma casa só para ti. 
Quando é que chegas, Jeremy?
(à espera de Abandoned Apartments)

sábado, 5 de outubro de 2013

Bordéus, uma cidade só para nós (II)


Bordéus é uma cidade tranquila, sem stress. A luminosidade da Ópera Nacional de Bordéus contrastava com a escuridão da noite. Eram quase 21 e 30 horas, e estávamos praticamente sós nas ruas. Uma ou outra pessoa, e pouco mais. Alguns minutos depois apanhámos o tram de volta à Ville Saint-Genes, para acabarmos a última noite na cidade francesa. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bordéus, uma cidade só para nós (I)


Bordéus tem os seus encantos particulares, como qualquer outra cidade terá também. Mas Bordéus foi-se mostrando aos poucos, na sua timidez de cidade que foi ficando mais bonita com o passar da última década, até se abrir totalmente aos nossos olhares. Disseram-nos que está mais elegante, mais limpa, mais moderna. Gostámos muito de Bordéus, e imaginámos ser possível viver-se por lá... talvez numa outra vida.

* La Porte Cailhou, na imagem.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fugir (um pouco) à ditadura das estações

(clique na imagem)

Tenho, desde criança, a sensação de que o outono apenas começa a 1 de outubro. É mais do que sensação, é uma íntima certeza que os livros nunca comprovaram. Paciência! Para mim, essa é a verdade que interessa. Depois é só seguir em frente até ao inverno.