Sabíamos que a distância era grande, e que o tempo nos levaria ao sítio desejado. Sabíamos tantas coisas, e estávamos tão seguros das nossas certezas... No entanto, e ao longo do caminho, fomos percebendo que os instantes do percurso eram os momentos mais apetecíveis, os melhores, e que já não importava tanto o destino traçado à partida. E, assim, fomos sendo mais um pouco do que já éramos, a cada momento. Depois, muito mais tarde, percebemos ser essa uma das grandes lições da vida: o que importa chegar, se em todos os passos do caminho não conseguirmos ficar?
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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Chegar / Ficar
Sabíamos que a distância era grande, e que o tempo nos levaria ao sítio desejado. Sabíamos tantas coisas, e estávamos tão seguros das nossas certezas... No entanto, e ao longo do caminho, fomos percebendo que os instantes do percurso eram os momentos mais apetecíveis, os melhores, e que já não importava tanto o destino traçado à partida. E, assim, fomos sendo mais um pouco do que já éramos, a cada momento. Depois, muito mais tarde, percebemos ser essa uma das grandes lições da vida: o que importa chegar, se em todos os passos do caminho não conseguirmos ficar?
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
O sabor dos dias claros
Ouvi muitas vezes dizerem que andavas nas nuvens, e nunca percebi a verdade dessas palavras. Andavas sempre a meu lado, isso sim! O resto, aquilo que diziam a teu respeito, era coisa de gente adulta, que já não sabia há muito o sabor dos dias claros. Uns dias aparecias, e estava sol quando brincávamos. Noutros dias estranhava a tua ausência, até surgires, dias depois, pronto para horas de balouço e gargalhadas. Esses são os dias que nunca mais surgirão por trás das nuvens. Esses eram os dias de mãos dadas.
sábado, 26 de janeiro de 2013
A luz daquele lugar
Ainda recordo a névoa do dia, e o sol do momento. Parece que sinto a brisa que movia o tempo e o coração. As nuvens, o sorriso preso ao rosto, os cabelos como pequenos pássaros alados que se agitavam com o seu olhar. Foi assim, já nem sei quando, nem por que razão me lembro agora desse instante. Talvez por ter olhado o céu neste dia em que não há sol, e queria tanto que houvesse... Seria outra vez assim, a luz daquele lugar: um rosto que aparecia vindo do nada, e que em nada se desfazia ao lhe tocar.
* na imagem está a minha amiga Teresinha Valadares, que foi fotografada pelo meu amigo e ex-aluno Tiago Correia. Obrigado a ambos.
* na imagem está a minha amiga Teresinha Valadares, que foi fotografada pelo meu amigo e ex-aluno Tiago Correia. Obrigado a ambos.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Nem eu, nem tu
Sempre sonhei com o dia em que fugiríamos, eu e tu, sem nada dizermos a ninguém. Imaginava o momento em que, ao entardecer, saltarias da janela para o aconchego dos meus braços. Depois o mundo seria tão nosso quanto o nosso desejo de sermos nós dois, o mundo. Mas nesse dia não dei por entardecer, a janela não se abriu, e a realidade toldou o sonho ambicionado. É tantas vezes assim, a vida: um lugar onde se está sem que se esteja preparado.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Deus desceu à terra, de elevador
Deus desceu à terra, de elevador. Apercebeu-se, ainda em plena descida, de que uma crescente multidão avançava até ao local do encontro. Notou também que esses milhares de humanos não mostravam sinais de satisfação. Vinham de rosto fechado, de gestos férreos e firmes. Deus franziu a testa, incrédulo. Já a poucas centenas de metros do chão, Deus sentiu uma enorme dor dentro do peito: tinha perdido a fé nos humanos! E, nesse momento, travou a sua divina descida, seguindo a emergência de outros planos.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Caminhar

Para onde se vai, quando se caminha para a idade? Que caminho é esse, que parece ter como destino algo que ainda não se tem? Nem se consegue saber, ao menos, o que encontraremos, se lá chegarmos... Parece um trajeto impossível, sem ponto de origem, nem momento ou sítio de chegada. E se, chegados lá, ainda houver mais caminho? O que fazer? Como saber o que ainda falta, se o que se caminhou nada nos diz do que queremos saber. Talvez caminhar seja apenas um capricho do destino, que teima em nunca aparecer.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Precária lucidez

Tenho o diabo no corpo, graças a Deus! E nem Deus nem o diabo são quem sou. Para saberem ao certo o que vai em mim, tenho de vos falar de muitos dias preenchidos e outros tantos por preencher, de muitos encontros, de muitas fugas, de muitas manhãs que nunca tiveram fim. Do sangue e das crostas que produz a vida, de cacos onde roçar as veias de vidro, de precipícios por onde andei, no limite da insensatez. E por isso peço a Deus e ao diabo e a quem me ouve, que entendam a minha precária lucidez.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Naquela noite
sábado, 10 de dezembro de 2011
Certos olhos

Sinto um vazio imenso no olhar dos outros. Uma estranha luz apagada que a todos cega, e que a todos incomoda. Eu, pelo menos, incomodo-me. Não aguento mais certos olhares pálidos, de uma tristeza de fim de dia. Para ser triste, prefiro chorar. Prefiro as lágrimas. Depois tudo passa, vai-se a tristeza, e secam-se as lágrimas. Tudo é melhor do que certos olhos que não olham, do que certas lágrimas que não molham.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Fim intemporal
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Basta um pequeno sopro para desaparecermos. Um sopro cósmico, vindo sabe-se lá de onde, sendo que há, por vezes, brisas de vida que chegam e que passam sem que isso nos afete. Um sopro sombrio, infiel, traidor. Como se a vida, toda ela, fosse um capricho endeusado, misto de carne e de pó. Basta um pequeno sopro. Um sopro, só.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Cá por dentro

Olhavas para muito longe, e eu, de muito longe também, olho agora para ti. O que aconteceu, entretanto? Que olhar é esse, tão meu e tão distante? O que sobra desse instante, tão afastado de mim, e tão presente neste único momento? Talvez apenas uma única certeza: o que eras e foste pelos tempos fora, é o que sou agora cá por dentro.
* eu, há cerca de 40 anos (na imagem)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
A vida

A manhã acordou, maquinalmente. Fui eu que abri os botões de seda do seu vestido matinal, quando a noite começou a findar-se, devagarinho, quase sem incomodar. O dia rompeu, adormecendo a lua, o negrume da noite, o esplendor longínquo das estrelas, uma a uma. Também é assim que a vida se constrói, uma recusa ao tempo, mas que mesmo assim avança contra ele, com vento a favor, até um dia... Como terminar a vida, se ela renasce todos os dias? Como negar-te a existência, se a horas certas principias?
sábado, 21 de maio de 2011
Lembrar

De que me lembro eu, se a memória tudo turva, se a memória tudo tende a apagar? Sei que eras sinuosa, e confesso que ainda julgo ter como certas, certas medidas que a mão nunca esqueceu, certos contornos, certos gestos, talvez até o tom de voz ainda permaneça em mim, como no tempo em que era assim que existíamos. Tempo sem tempo e sem lugar! Onde o que fomos só existe na inexistência de lembrar.
* imagem retirada deste fantástico lugar.
What can I recall, if my memory blurs everything, if memory tends to erase everything? I know you were winding and I confess I think I still feel sure of certain ways my hand has never forgotten,certain shapes,certain gestures,perhaps even the tone of your voice still remains inside me, back to the time when that was the way we lived in. Timeless time, nowhere time. The place where what we were just exists in the inexistence of remembering.
** traduzido pela minha amiga Ana Serôdio, a quem agradeço.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Os pequenos demónios

Gosto dos meus pequenos demónios. Sobretudo porque são meus e íntimos, nas maldades e sustos que me pregam. Divirto-me com eles, quando estamos ambos de bom humor. E não lhes quero mal. Estão sempre comigo, por dentro de mim, à espreita de se mostrarem nas palavras que profiro, em certas ações menos capazes, prontos a minarem aquilo que de bom faço. Seremos para sempre assim: um todo dividido entre o conforto e o embaraço.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
O tempo inquieto

Um dia resolveu mexer no seu passado. Limpá-lo das coisas que tinha feito, arrependido que estava desses momentos. Trocou frases por outras frases, gestos por outros gestos, pessoas por outras pessoas, até ficar satisfeito. Quando acordou, assustou-se por segundos. Não havia ninguém ao seu lado, na cama. E ficou inquieto.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Um jogo como qualquer outro

Quando adormeces eu aproximo-me de ti. Às vezes penso que não dormes ainda, que fazes de propósito para que pareças dormir. Se é esse o jogo, fica a saber que também eu sei as regras. Tento descobrir-te o corpo, até que uma dose súbita de decência me faz parar. E é sempre nesse instante que abres os olhos, fazendo um outro jogo começar.
domingo, 20 de março de 2011
Restos

Só muito tempo depois foste encontrada, numa quase cama de ervas e restos banais da natureza. Diziam que ainda sustinhas um sorriso que te cobria o rosto, e que te encontravas nua, tal o calor desse agosto. Outros diziam que foi o amor que te deixou assim, lívida, serena, e sem o mínimo indício de desgosto.
domingo, 13 de março de 2011
Os dias de mãos dadas

Estava guardada no fundo da gaveta do tempo. Era mais luminosa a imagem desse dia, e foi escurecendo aos poucos, como vela de uma qualquer vida que se apaga. Já nem me recordo bem desses dias de mãos dadas, dos gestos amanhecidos, dos sorrisos, dos corações que eram fortes e batiam em conjunto. O tempo mata o que vai ficando por cumprir, e não há melhor lição: o tempo mata a vida que teima em lhe resistir.
sábado, 12 de março de 2011
Talvez
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