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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Autoamerican


Há quem diga, e eu concordo, que Autoamerican é o Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Blondie. Grande definição! Este é o disco que mais me fascinou até hoje, dos vários que a banda norte americana já gravou. Quando surgiu, e durante muitos e muitos meses, não ouvia outra coisa de maneira tão insistente como ouvia Autoamerican. Europa, numa primeira escuta, deixou-me arrasado (pareceu-me um início de soundtrack de ficção científica), deixou-me fascinado, rendido. Live It Up (que até hoje me parece ser uma canção que o mundo nunca escutou com a devida atenção) é brilhante; Here's Looking At You foi um prenúncio (inconsciente) dos embalos jazzísticos que mais tarde soariam tão bem na voz de Debbie Harry. Sobre The Tide Is High e Rapture a história já tudo afirmou. Mas Autoamerican tem muito mais: tem Angels On The Balcony (das melhores canções de sempre dos Blondie), tem Faces, tem Do The Dark, T-Birds (forte, potente, um autêntico furacão), Go Through It, Walk Like Me (outro furacão sonoro) e Follow Me, que fecha com chave d'ouro esta quinta aventura de Debbie, Stein, Burke, Destri, Infante e Harrison. Mike Chapman continuava a fazer milagres na produção, embora a banda já desse claros sinais de desmembramento. A crítica foi muito diversa na forma como se referiu ao disco, o que não é de espantar, tal a diversidade dos temas e dos estilos de Autoamerican. Para mim, fiel e atento fã dos Blondie, este é um marco incontornável no meu percurso de ouvinte. A ouvir, sempre e sempre mais uma vez.


(contra-capa de Autoamerican)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Brasil

Quando João Gilberto gravou Brasil (1981) eu tinha 13 ou 14 anos. Comprei-o por ser fanático por Caetano Veloso, como sou ainda hoje. Na verdade, o que eu comprei naquela altura nada mais era do que uma obra perfeita. Não uso a expressão em vão: é mesmo um disco perfeito, porque é impossível haver coisa melhor do que aquelas 6 canções. As razões que explicam tanta qualidade juntas são fáceis de perceber. A João Gilberto e Caetano Veloso juntaram-se Gilberto Gil, e Maria Bethânia, esta numa participação mais restrita, mas especialíssima. Como acontece com todos os discos verdadeiramente superlativos, é mais inteligente ouví-lo do que escrever sobre ele. Por isso, ocupo apenas mais umas breves linhas para me referir a Brasil como sendo um disco que revela ainda hoje um vigor e uma delicadeza capazes sempre de me pasmar. Ouvindo-o, nada será como dantes. Tudo muda, principalmente o ouvinte.

* dificílimo de encontrar em cd, o melhor é optar por João Gilberto - Amoroso / Brasil (cd da Warner Archives)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sentinela


Em 1980 o disco Sentinela, de Milton Nascimento, começou a fazer parte da minha vida. Entrou, acomodou-se, e ficou até hoje em mim, como se de uma cicatriz sonora se tratasse. Lembro-me de o ter ouvido, nesse já distante tempo, tantas e tantas vezes, que o sabia de cor. Talvez ainda hoje isso aconteça. A começar pela capa (o tamanho xl dos álbuns de 33 rotações marcaram muito a minha adolescência) Sentinela tomou conta da minha cabeça durante largos meses, quase que exclusivamente. Só havia, nos meus ouvidos, espaço para "ê nós que viemos / de outras terras, de outro mar", ou para "amigo é coisa pra se guardar / no lado esquerdo do peito", ou ainda "eu vou cantando / com uma aliança no dedo / eu aqui só tenho medo / do mestre Zé Mariano". Sentinela soube envelhecer. Ouvi-o há dias e permanece intacto nas suas virtudes. Permanece parado no tempo, mas vivo nos dias de hoje, tão distantes já dos da primeira audição. Sou fiel a Milton desde sempre, e a Sentinela ainda um pouco mais. Ao ouvi-lo lembro-me dos tempos de liceu, dos tempos em que a mpb era vivida e sonhada diariamente, como se pouco mais houvesse no meu mundo. E enquanto a memória não se apagar, aqui estarei eu, sentinela desse tempo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Whiskey sueco


Só 4 anos depois da sua edição é que Whiskey me chegou às mãos. Comecei a conhecer Jay-Jay Johanson através do seu segundo (e soberbo) trabalho, intitulado Tattoo. Fiz, portanto, o percurso inverso. Também aqui se escreveu direito por linhas tortas. Whiskey é todo ele cintilante, elegante até às últimas notas de cada canção, e Johanson revelou-se, nessa altura, o crooner mais cool do meu universo musical. Há poucos dias voltei a ouvir o disco, repetidamente, até chegar a uma conclusão antiga: a voz não combina com a figura, a capa nada diz sobre o conteúdo, nada parece bater certo, portanto. Isso faz parte do seu encanto. Talvez esse facto nos ajude a parar, a escutar com atenção o som de cada canção, a recordar os tempos dos ruídos do vinil, que conferem ao disco uma intemporalidade interessante. Em pouco mais de 30 minutos somos confrontados com apenas 9 canções, e isso chega, porque a função repeat é suficiente para prolongar no tempo, aquilo que o disco faz por nós. Como não morrer de amores por So Tell The Girls That I Am Back In Town ou I'm Older Now, só para citar os dois melhores momentos de Whiskey? Curiosamente, este último tema referido usa um sampler de Fish Beach, de Michael Nyman, da banda sonora de Drowning By Numbers, o meu filme predileto de Peter Greenaway, sendo que essa mesma banda sonora é um clássico dos meus ouvidos há já longos anos. Nada poderia ser mais perfeito, como se percebe pelo que escrevo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Low

Low é um pequeno milagre auditivo. Cura-me o tédio, disfarça o frio cinzento dos dias de inverno, chega a comover-me, até. O lado A (por vezes gosto de mostrar que sou da geração do vinil) tem Speed of Life, Sound and Vision, e principalmente Always Crashing In The Same Car (fantástica canção, tão injustamente esquecida). Depois, depois vem o lado B, flutuante, etéreo, instrumental na sua quase totalidade: A New Career In a New Town, Warszawa (que parece um pedido de ajuda, um estender de mão...), mas também Art Decade e Weeping Wall. Um disco perfeito, de uma elegância extrema, um dos melhores do enorme legado de Bowie. Sabemos que Low foi um disco marcante para a história da música das últimas décadas do séc. XX. Marcou muitos artistas e muitas bandas. Tenho para mim que Gone To Earth, de David Sylvian,deve alguma coisa a Low, gravado cerca de 10 anos antes. Mas isso, enfim, carecerá sempre de uma confirmação que nunca ninguém ma dará.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Station To Station

Escolher um disco de David Bowie para constar neste meu particular Museu, não foi tarefa fácil. Mas também não foi hercúlea, visto que, a meu ver, só um outro disco mereceu forte ponderação. Não quero com isto dizer (longe disso, longe disso) que apenas dois discos de Bowie são, para mim, excelentes discos. Até aos anos 80, quase todos são soberbos, aliás. Mas tinha de escolher aquele de que mais gosto, embora ao longo dos tempos a minha opinião não tenha sido sempre a mesma. No entanto, julgo agora e em definitivo, que o melhor disco de David Bowie é Station To Station.
O disco foi lançado em 1976 e era o décimo da sua carreira. Continha apenas 6 faixas, distribuídas irmãmente pelos dois lados do vinil. Na continuação da sua vertente camaleónica, Station To Station trazia um novo "character": The Thin White Duke! Foi descrito como um "mad aristocrat", "an amoral zombie". Bowie estava num período em que vivia de pimentos vermelhos, leite e cocaína. Nunca a droga o consumira tanto. Foi, segundo o próprio Bowie, o pior momento da sua vida, e no entanto, musicalmente, Station To Station é um álbum fascinante. Tem, por exemplo, Word On A Wing, a canção de Bowie que mais gosto. Mas também podemos ouvir Stay, Wild Is The Wind, Golden Years, a assombrosa faixa título, o disco todo, enfim!
Na recepção crítica do disco, muitos foram os que referiram a sua pose de supremo ariano, descortinando em Bowie uma suposta vertente nazista. Ainda está presente na cabeça de muita gente o cumprimento hitleriano que Bowie terá usado quando saudou aqueles que o aguardavam em Londres, naquele que ficou conhecido como o Victoria Station incident, embora Bowie sempre tivesse negado a saudação, afirmando que a fotografia que lhe foi tirada o apanhou a meio do gesto. Não é por estas razões que escolho Station To Station, obviamente. Escolho-o porque é um manifesto musical repleto de ideias novas, juntando uma pitada de soul ao novo som que algumas bandas alemãs teimavam em mostrar ao mundo (como Neu!, CAN ou Kraftwerk, por exemplo). Sente-se em Station To Station um delicioso fascínio pela música electrónica, pela batida motorik, por um desenho sonoro ainda não experimentado pelo músico inglês. É, sem dúvida, um disco de transição. Depois de Station To Station, veio a famosa trilogia de Berlim, comandada por Brian Eno. Mas para mim, Station To Station é um trabalho ainda superior a Low, Heroes ou Lodger.
E cá está ele, para futuras visitas. É só preciso que tire o bilhete para viajar de Station To Station!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Autogeddon

Nem sempre escolhemos como preferido aquele que sabemos ser o melhor disco de um determinado artista. Aceitar esse facto é a melhor forma de lidar com essa realidade. Por isso escolho Autogeddon, de Julian Cope, em vez de escolher um dos seus trabalhos mais conceituados, como Peggy Suicide, ou Jehovahkill, por exemplo. Há muito que queria incluir um disco do meu adorado Julian Cope neste Museu tão especial. E escolho Autogeddon porque desde a primeira audição me deixou fascinado pela estranha elegância de certas canções, como Don't Call Me Mark Chapman, por exemplo. Mas também porque Madmax, Paranormal In The West Country ou Ain't But The One Way são canções delirantes e belas, das melhores que o Arch Drude inglês tem produzido. No entanto, é com s.t.a.r.c.a.r (exactamente grafado assim) que o disco atinge o seu momento mais sublime: a guitarra de Moon-Eye, que se faz sentir desde os primeiros instantes da canção, viaja para sempre na cabeça de quem a ouvir. Sim, para sempre! Além de tudo isto, o disco revela uma certa loucura sadia (nas letras, nos ritmos, num certo imaginário apocalíptico...), bem típica do seu criador. Julian Cope juntou-se a Thighpaulsandra, Donald Ross Skinner, o já referido Moon-Eye e outros mais para criar este estranho Autogeddon, tão do meu agrado.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vespertine

Há já algum tempo que as portas deste Museu não se abriam. Abrem-se hoje para festejar um som encantado, feito por uma pequena islandesa também encantada, graciosa e estranha, capaz de me deslumbrar (como é o caso) ou de me aborrecer até à medula ( a palavra medula não é inocente neste contexto, como se aperceberão os que conhecem bem a obra da artista). Falo-vos de Bjork e do seu Vespertine, disco cujo título inicialmente previsto era Domestika, que também lhe assentaria bem. O que me agrada em Vespertine é a sua candura, a sua aura de leveza, de confluência de sentidos (é, de facto, um disco onde as canções têm um perfume próprio, um paladar muito específico, uma capacidade única de nos tocar de forma quase táctil). Aqui não temos as gritarias quase descontroladas que são uma das imagens de marca da senhora Bjork. Vespertine é uma brisa fresca vinda do gelo que intensamente habita cada canção, mas apenas fresca e nunca gélida ao ponto de nos deixar indiferentes. No coração das canções de Vespertine há uma pequena chama que nos orienta por caminhos belos e sensuais. Canções como It's Not Up To You, Pagan Poetry ou Hidden Place podem provocar pequenos milagres em nós. E eu sei bem do que falo...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O ABC do Amor

Decorria o ano de 1983 e eu, o meu irmão e o meu primo Sérgio rumámos até ao norte, mais precisamente à Anadia, para passarmos uns dias de férias na casa de uma prima. Um casarão, aliás, vivenda imponente e antiga com quintal e tudo. Tinha 16 anos e as recordações de alguns dos momentos desses dias estão muito presentes ainda na minha memória. Os momentos e também a banda sonora dessas férias. Nessa altura, eu ouvia muita MPB e alguma POP. Fazia-me sempre acompanhar de um pequeno leitor / gravador de cassetes (usava as clássicas BASF laranjas ou verdes) e dessa vez não foi excepção: Kim Wilde (Select), Haircut 100 (Pelican West) e ABC (The Lexicon of Love) eram a minha bagagem musical. E digo minha, porque o meu irmão nunca gostou de música e o meu primo, nessa altura, tinha um gosto que me parecia muito duvidoso - ouvia Motown e pouco mais. Dos 3 discos que levava, dois ficaram para sempre na minha cabeça: o da segunda loura mais sexy da música POP e o dos ABC. E é sobre The Lexicon of Love que vos escrevo.
Os ABC estrearam-se no mundo da música com uma obra-prima absolutamente inquestionável. Um daqueles discos perfeitos do princípio ao fim, sem uma única faixa que ficasse aquém das restantes. É claro que as que mais ficavam no ouvido eram, por exemplo, The Look of Love, Poison Arrow ou All of My Heart, mas para mim todo o disco era soberbo. Ainda hoje, apesar da produção algo datada, sobrevive bem enquanto trabalho de POP certeiro aos ouvidos e ao coração. De tal maneira que o segundo disco da banda (Beauty Stab) não aguentou as comparações com o primeiro e afundou-se ( e com ele toda a carreira do grupo) no mais profundo mar do esquecimento. Injustamente, na minha opinião. Gosto muito de Beauty Stab, embora seja um trabalho completamente diferente e com outro propósito de The Lexicon of Love.
Ouvíamos (sim, deste o meu irmão gostava e o meu primo achava-lhe alguma graça) The Lexicon of Love a todas as horas: de manhã e de tarde (essas memórias misturam-se com as brincadeiras algo taurinas com o cão da casa - chamava-se Perro, se bem me lembro - que muito sofreu com as bandarilhas / molas da roupa que teimávamos em cravar-lhe no dorso) ouvíamos e cantarolávamos o disco do princípio ao fim, e mesmo de noite (mais memórias, no quarto do primeiro andar onde dormíamos os 3, às tantas da noite, com bexigas repletas de xixis nocturnos que saíam disparados pela janela - para não acordamos ninguém - e que aterravam no quintal, desenhando estranhos desenhos no chão de areia) os ABC faziam-nos companhia.
Quem nunca ouviu este trabalho dos ABC andou perdido nos anos oitenta, ou então era deficiente auditivo. Canções como as anteriormente citadas, ou como Show Me, Valentine's Day e Date Stamp são bem a prova de um disco genial. Tão genial que entra agora, triunfante, no Museu dos Melhores Discos do Séc. XX.

* já para não falar da capa, um verdadeiro clássico...

quinta-feira, 12 de março de 2009

New Musik


I - Os New Musik tiveram vida curta. Para mim, esse é um dos maiores mistérios dos anos 80. Como pode ter acontecido? Os New MusiK eram verdadeiramente geniais, muito para além do seu tempo. Faziam canções com enorme apuro melódico, canções pop com travo futurista, clever and catchy music, I must say. O grande cérebro da banda chama-se Tony Mansfield, e liderou-a de 1979 a 1982. Depois, desapareceram, embora nunca o tivessem feito oficialmente.

II - O primeiro disco da banda surgiu em 1980, pela pouco sólida GTO: intitulou-se From A to B. Todas as músicas do álbum poderiam ter sido singles, mas surgiram apenas Straight Lines, Living By Numbers, This World of Water e Sanctuary. O disco não fez má carreira, chegando ao Top 40 de Inglaterra. Mas sempre foram mal amados e pouco reconhecidos. Eu, literalmente, AMO este disco. E recordá-lo aqui e agora, é um imperativo. Tardio, devo acrescentar. Tenho-o em vinil e em cd, numa versão com 3 extras de grande qualidade. A pergunta que fica é esta: quem nunca ouviu From A to B, está à espera de quê?

III - Para muitos, Anywhere, o segundo álbum da banda (1981), é o seu melhor trabalho. Eu não me atrevo a escolher o melhor disco dos New Musik. Fazê-lo seria quase uma traição à paixão que sinto por todos. Mas, na verdade, Anywhere é imenso, cheio de canções superlativas, algumas trazendo autênticos landscapes sonoros, como a soberba Areas, ou a igualmente soberba Luxury, ou ainda Peace, todas elas deliciosas canções para ouvir e meditar. O disco foi aclamado um pouco por todo o mundo, mas vendeu pouco, ainda menos do que o primeiro. Também o tenho em vinil, trazido sem que ninguém soubesse (estava perdido por detrás de armários cheios de álbuns que ninguém ouvia...) da Rádio Horizonte (da Amadora), onde eu e o meu amigo Janeca tivemos durante dois anos, julgo eu, um programa de música brasileira intitulado Avenidas. Era difícil, para não dizer impossível, comprar o disco em Portugal. Mas eu tenho-o, felizmente. Como também o tenho em cd, com três faixas extras, re-intitulado Anywhere...plus. A pergunta que fica é esta: quem nunca ouviu Anywhere, está à espera de quê?

IV - No ano seguinte, em 1982, foi editado o último trabalho dos New Musik. Warp é um disco bastante experimental, digamos assim. Representou o adeus de uma das melhores bandas dos anos 80, um adeus sem ponta de glória, apesar de ter canções como Here Come the People, A Train on Twisted Tracks, Kingdoms For Horses, uma versão de All You Need Is Love, dos Beatles, logo seguida, no alinhamento do disco, de All You Need Is Love, canção com o mesmo título da anterior, mas assinada pela própria banda. E assim, nesse mesmo ano, os New Musik desapareceram. Também tenho Warp em vinil e em cd, de prensagem japonesa, com cinco faixas extras. E, é claro, a pergunta que fica é esta: quem nunca ouviu Warp, está à espera de quê?

V - Tony Mansfield continuou ligado à música, como produtor. Produziu nomes como Aztec Camera, The B-52's, Captain Sensible, The Damned, entre outros.

* Tenho uma compilação dos New Musik feita por mim (em cd) e ofereço-a a quem melhor souber pedi-la, com jeitinho, de forma meiga. Vão ver que nunca mais os deixarão de ouvir.

** Todos estes discos estão, claro está, no meu Museu dos Melhores Discos do Séc XX

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

DARE

Nunca gostei dos Human League, mas adoro DARE. O disco apareceu em 1981, altura em que a música sofria nova viragem no que diz respeito à experimentação de um instrumento chamado sintetizador. A capa era já uma obra-prima: o branco era a nova estética e as imagens em fragmentos também. Uma após outra, as canções seguiam um irrepreensível e melodioso caminho. E os versos eram bonitos e cantáveis, em voz alta:

And when it hurts you know
They love to tell you
How they warned you
They say "don't be surprised
At someone's lies"
They think they taunt you
But if you can stand the test
You know your worst is better
Than their best

Um disco magnífico, surpreendente. Pouco tempo depois, já em 1982, surgiu também uma versão instrumental do mesmo Dare, chamado Love and Dancing. Mais outra obra-prima, talvez ainda melhor do que Dare. Mas não nos afastemos do disco de 81: aquele conjunto de canções foi um primeiro sintoma do que mais tarde muitos grupos iriam fazer. Abriu portas, foi decisivo. E por tudo isso, entra fulgurantemente neste Museu.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Acabou Chorare

Início dos anos 70. No Brasil, a Tropicália ditava as suas leis. Um grupo da contracultura formado por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão lançava o seu segundo longa duração: Acabou Chorare. Mais de trinta anos passados, a história fez a justiça de considerar Acabou Chorare um dos discos mais influentes de sempre da música popular brasileira. O disco mistura magistralmente laivos de bossa nova, rock, baião e tropicalismo. Canções como Preta Pretinha, Besta é Tu, A Menina Dança, Tinindo Trincando, Mistério do Planeta e Acabou Chorare fazem deste segundo esforço da banda um trabalho verdadeiramente exemplar. Um clássico. E por isso, vale pouco a pena dizer muito mais sobre o disco. Ouvi-lo é uma aventura surpreendente. Mesmo que já nos tenhamos aventurado nele dezenas de vezes...

* esta é a capa original. A capa do cd que facilmente se encontra entre nós, pode ser vista aqui.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Squeeze - East Side Story

Estávamos em 1981. A New Wave invadia as rádios, mas nem sempre com propostas interessantes. O que não é o caso de East Side Story, dos Squeeze. Lembro-me como se fosse hoje de comprar o disco na loja a que ia habitualmente, no Monte Abraão, em Queluz. Era a única que por lá havia, aliás. Na Rádio Comercial (julgo que no programa TNT) ouvi a canção Is That Love e foi amor à primeira audição. O dinheiro das mesadas fez o resto. Já com o álbum em casa, East Side Story revelou-se um disco extraordinário. Num ápice, novas canções começaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Temas como In Quintessence, Someone Else's Heart, Woman's World, Vanity Fair, Mumbo Jumbo, e principalmente as superlativas Tempted e Labelled With Love, nunca mais me sairam da cabeça. Ainda hoje sou capaz de as ouvir com enorme prazer. Ainda hoje me lembro das letras dessas canções. E depois, o fascínio da capa, em vinil, bom de levar debaixo do braço!!! Aquela inclinação da imagem da capa sempre me fascinou, vá lá saber-se porquê!
East Side Story é um disco pop-rock sem grandes vergonhas. Honesto, feito de belíssimos temas e de grandes arranjos. As letras das canções estão muitos furos acima do que vulgarmente se via (e ouvia) em discos do género. Não foi por acaso , embora exageradamente, na minha opinião, que Chris Difford e Glenn Tilbrook (as almas criativas da banda) foram considerados por alguns media, os novos Paul McCartney e John Lennon dos anos 80. Por tudo isto, East Side Story, dos britânicos Squeeze, está presente neste tão pessoal Museu dos Melhores Discos do Séc. XX.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lazer Guided Melodies

Lazer Guided Melodies é um disco perfeito. Sim, bem sei que a perfeição é coisa que não existe, mas em todas as regras há excepções. Este é um trabalho excepcional. O primeiro LP dos Spiritualized veio ao mundo em 1992 e ficou como um marco sónico da carreira de Jason Pierce. É hipnótico, verdadeiramente hipnótico. Psicadélico, delicadamente psicadélico. Quando ouvido em silêncio e de uma ponta a outra, Lazer Guided Melodies deixa-nos em transe. Por isso este é um disco tão precioso. You know it's true, Shine a light, Step into the breeze, 200 bars, bem como todas as outras canções do álbum, têm efeito terapêutico. E para que se atinja o objectivo pretendido - a tranquilidade absoluta -, deve ser "ingerido" em dosagem única, e repetida de quando em quando. Ao longo dos anos, ao longo da vida. Para sempre.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Amiga Alba e Delgada

Para mim, Emílio Cao é a voz da Galiza. Uma voz sóbria, doce, terna. Músico com pouca projecção fora do seu próprio país, Emílio Cao gravou na década de 90 um álbum belíssimo, intitulado Amiga Alba e Delgada. Lembro-me bem de o ouvir vezes sem conta, em repeat, maravilhado com as canções, que ao mesmo tempo me pareciam frescas e delicadas, mas também carregadas com o peso do tempo da cultura que as produziu. O disco chegou-me aos ouvidos através do meu amigo Jorge (esta é só mais uma das muitas coisas boas da minha vida que te devo, compadre), sempre atento ao que de bom os sons do mundo vão produzindo e sempre generoso na partilha das suas descobertas. Voltei nestes últimos dias ao convívio de Amiga Alba e Delgada e não tenho dúvidas em afirmar que passou muito bem no teste sempre difícil da passagem do tempo. Talvez porque as coisas verdadeiramente belas depuram as suas qualidades com o passar dos anos... Por isso, esta obra de museu abre os seus sons aos visitantes de passagem.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Prenda estratégica

No dia em que fiz 27 anos (2/10/94) o meu amigo Janeca deu-me um cd de um músico que não conhecia. Tratava-se de Wim Mertens. O disco dá pelo nome de Stratégie De La Rupture e tornou-se desde essa data uma referência para mim. Tanto assim foi que fui comprando vários discos do talentoso compositor belga, mas nenhum me toca tanto como o que me foi oferecido há 14 anos atrás. Virtuoso do piano, minimalista devoto, Wim Mertens seria certamente escolhido para compor uma eventual banda sonora do Paraíso. Stratégie De La Rupture é um disco belo, de uma elegância transcendente, encontro perfeito para a voz alta de Mertens, apenas acompanhada ao piano tocado pelas suas próprias mãos.
Neste Museu dos Melhores Discos do Séc. XX, Stratégie De La Rupture ocupa um espaço que o distingue de todos os outros, talvez por ser mais luminoso, mais resplandecente, com um sotaque sonoro muito próprio. É uma obra com travo clássico, piscando o olho às canções - àquelas canções que nos podem marcar para a vida inteira -, mesmo não se tratando, verdadeiramente, de canções. É Wim Mertens, e isso já diz mais do que qualquer texto a propósito.

* já passou tanto tempo... Será que ainda te lembras de me teres dado este disco, Janeca?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Wild Explosion

Os The Teardrop Explodes tiveram um trajecto musical pouco consentâneo com a sua grandeza. E uma vida relativamente curta, também. Depois de um primeiro disco bastante promissor (Kilimanjaro, 1980), surgiu Wilder. Este segundo esforço dos The Teardrop Explodes foi recebido pela crítica com menos entusiasmo. É um disco onde se nota um esforço menos colectivo, parece menos um disco de banda e mais um trabalho individual. Emergia assim, definitivamente, aquele que é considerado (por poucos, é certo) um dos mais importantes best kept secrets ingleses: Julian Cope. Wilder é um disco muito ligado à minha vida. Fez parte dela num momento muito particular e ainda hoje o ouço com enorme prazer. Tem Passionate Friend, Seven Views of Jerusalem, The Culture Bunker, Tiny Children, The Great Dominions, entre outras belíssimas canções. O disco existe com duas capas diferentes, mas a minha será sempre a que aqui publico no início destas linhas. É das capas mais bonitas da história da música pop. Adoro Wilder, não apenas pelo que nele se pode ouvir, mas também pela imagem meio turva daquele eterno ramo de flores.

Esta é a capa alternativa de Wilder:


* já tinha escrito um post sobre este mesmo disco. Quem quiser lê-lo pode encontrá-lo aqui.

** uma curiosidade: para quem não saiba, o nome The Teardrop Explodes foi escolhido devido a esta vinheta dos Daredevil comics:

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Yoshimi won the battle

Este é um disco (quase) perfeito. Devia estar num qualquer museu dedicado às grandes obras-primas da música do século XX. Esse museu, estranhamente, não existe. Ou melhor, não existia... O disco chama-se Yoshimi Battles the Pink Robots (Julho de 2002), dos The Flaming Lips. É um disco obrigatório.


* este post inaugura mais uma etiqueta neste blog. Está assim estreado o único Museu dos Melhores Discos do Séc. XX existente no mundo. A entrada é livre.