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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Poema

Mergulho nas palavras
agora que o verão
escolhe as mais belas
e as mais frescas

Deito-me à sombra
sentindo-lhes o travo 
madrugador e inquieto
das surpresas

As palavras servem-se
do que são e do que valem
mostrando-me a luz
permeável das certezas 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Poema

Tudo vale um só aceno
no assomo final
da despedida

E a memória deixa livre
o gesto em abandono
da partida

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Poema

Foi tudo assim
repentino
o sangue do destino 
fez tudo secar
quando a chuva veio
e acabou por
me inundar

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Poema

Queria a água 
toda minha
imensa 
a cobrir as terras 
até ao teto
do céu

Só bem depois
mergulharia
a estranheza 
do meu corpo
até vir ao de cima
um novo eu


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Poema

Ontem esqueci-me de dizer
todas as coisas que queria
o tempo é curto
eu bem sei
e tu sabes que o tempo das palavras
não tem fim
nem tem começo

Talvez por isso eu me esqueço
desde o início
de dizer o que queria
não fosse este sobressalto
este reboliço
e as palavras teriam
um dom maior e um outro viço

Mas não as culpemos assim
são tão frágeis
tão singelas
que mesmo quando não dizem
o que queria dizer-te
eu só me zango comigo
nunca me zango com elas

No fundo
o que acontece é bem simples:
o que venho aqui dizer
posso dizer-to em voz muda
no silêncio de algum verso
que ainda está
por escrever

Fica o recado assim dado
e fico eu mais tranquilo
por te dizer o que queria
é bom saber que o que digo
te satisfaz por inteiro
pois não dizer o que é dito
é o dizer mais verdadeiro

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Poema

(sem sofrimento aparente
a aurora rasga as horas nuas do dia
sem um só gemido seu

e quando um pássaro dormente de sono
levanta as asas abanando o céu
o dia nasce e amanheço eu)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Poema

Antes do fim
há um fim ainda maior
uma desistência prévia
que ganha força
desde o começo

Começar e findar
são as balizas
em que me meço

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Poema

Não importa a folha
o papel de compra
o livro aberto
na página incerta

Não importa a letra
seja concreta
ou abstrata
importa é bater
à porta mesmo sabendo
que está sempre
aberta

Só importa a hora
de ficar alerta

Há uma coisa certa
uma só coisa certa

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poema

Agora que o silêncio nos diz tanto
agora que é tão pouco o que ficou
da vida e do seu fim inesperado

Agora que só há o que acabou
era bom ser-se imortal mais um bocado

* para a minha amiga Indira, que partiu cedo rumo à eternidade

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Poema

Das pessoas
só quero o que não
fizeram
e o que não
pensaram

Só assim abro as portas ao futuro

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Poema para Adélia Prado

O livro aberto num poema
de Adélia Prado
ensina-me a guardar
o sotaque bom
do seu perfume

Quem sabe se tudo isto
um dia inflama
tornando-se voz
do meu próprio lume

sábado, 26 de julho de 2014

Poema

Estendo-me ao comprido
e reparo na extensão que ocupo

é mínima
e nela não cabe sequer
parte dos sonhos que vivo

onde se encontrarão então
e o que representam
essas imagens de futuro

Não por certo
o lugar seguro e breve
do corpo estendido

sem espaço em si
para dar lugar a estas
linhas sem sentido

domingo, 29 de junho de 2014

Poema

Atiro uma pedra ao poema
para testar a acidez da corrosão

Não vislumbro a mínima
mudança alquímica
ou sinal de futura
alteração

Talvez por não haver química
na poesia
a não ser a física
da sua interina
combustão

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Poema

Este poema não muda o mundo

Não tem a força de uma bomba
nem a subtileza da brisa
quando começa

Por isso não me peça
que faça um poema ao seu jeito

Isso é coisa que não faço
nem mesmo quando a palavra
se avizinha em simpatias
típicas da sua idade

O que você julga ser charme
pode muito bem 
ser ansiedade

domingo, 15 de junho de 2014

Poema

Dobrei a página do canto do dia

(há momentos em que é bom parar
apenas para contemplar o que até então
não existia)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Poema

Não se ama
quando se ama

Talvez vivamos
na instância do amor
de sofrer com alegria
e do prazer dessa dor

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Poema

Não te importes
com os sonhos
que não te pertencem

Eles durarão um tempo inexistente
nas aspas da realidade

Procura antes os espaços invisíveis
entre as sombras do que vês
e tenta agarrar o pó das vontades
da tua imensa lucidez

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Poema

Não me agarres pela mão
agora que nada quero
do passado
ou do futuro

Não quero ser levado
ao tempo dos instantes grandiosos
nem ao indistinto
amanhã

Apenas desejo da tua mão
o cheiro intenso que ficou
dos dias com sabor a hortelã