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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Este texto é para si, Cândida!


Foi por um feliz acaso que conheci Maria Cândida. Infelizmente, o conhecimento a que me refiro é apenas virtual, visto que nunca nos encontrámos, senão através da escrita na net. Maria Cândida é brasileira e trabalha na companhia de dança contemporânea que dá pelo nome de Grupo Corpo. Desde os primeiros contactos que percebi estar na presença de um ser humano de excepção. Digo-o com a humildade de quem não vê no elogio nenhum exagero ou favor, muitas vezes típicos da amizade. Em conversa recente confessei-lhe a vontade sincera que tenho em conhecê-la pessoalmente. "Talvez um dia", respondeu-me. Mas hoje, através do correio, chegou-me às mãos mais um bocado da sua gentileza, da sua amabilidade oceânica, e isso fez-me ganhar o dia, ao mesmo tempo que me comoveu. E de seguida, a sensação de estar em falta, de estar imensamente sensibilizado pelo seu gesto, sem que aja ao meu lado um rosto onde pousar dois beijos agradecidos. Por isso, porque a ausência terá sempre uma forma de ser contornada desde que assim queiramos, escrevo estas linhas só para si, imaginando que ficará satisfeita por ter sido responsável pelo contentamento que iluminou o meu dia. Muito obrigado, Cândida! Um beijo maior que tudo, e para sempre!

domingo, 27 de setembro de 2009

Particularidades


Tenho amigos que gaguejam! E não é por serem bons amigos que vos digo que são óptimos nessa difícil arte de hesitação vocabular. Fazem-no tão bem, com tanto esmero e empenho, que sinto por essa particularidade uma quase reverência. São assim desde há muito, e por vezes, quando estamos todos reunidos em boas horas de conversa (sim, as conversas com eles demoram um pouco mais do que seria previsível) lá vêm as recordações dos tempos em que ambos eram teenagers e iam a consultas que tinham como objectivo a cura dessa mesma gaguez. E quando essas histórias são relembradas, o riso é de tal forma intenso, que acabamos todos em lágrimas. Nessas histórias entram médicos chineses de medicinas alternativas, choques eléctricos e respectivos cabelos em pé (literalmente), agulhas de acupunctura espetadas ao calhas, um imenso rol de delírios a que foram, sem resultado, sujeitos os meus bons amigos. E ainda bem, digo eu. Se assim não fosse, a consciencialização do problema da gaguez teria assumido na minha vida uma importância residual, inexpressiva, nada digna de menção ou registo. Coisa que, como já perceberam, não acontece. É claro que essa particularidade não é vista, pelos amigos que aqui refiro, como algo que lhes agrade. Claro que não. Mas também não me levarão a mal este elogio a um facto que os distingue, com inequívoco estilo, de todos os outros. Um a-a-braço para ambos.

* esta nova etiqueta será, em futuros posts, sempre orientada no sentido de salientar alguns aspectos específicos e definidores de alguns dos meus amigos. E será também, obviamente, uma homenagem à amizade que nos une.