sábado, 31 de maio de 2014

Dead Combo - a bunch of meninos


* o texto que poderá ler neste post foi escrito para o site Altamont, e foi um enorme sucesso de visualizações e partilhas, o que me deixou imensamente satisfeito. Estamos a falar de vários milhares de olhos que passaram a vista pelo texto que se segue.

Cheira a tequila e a sardinhas assadas que tresanda. Estes cabrões deixaram o pátio numa autêntica esterqueira. Só querem festas. Só querem gajas, copos e fumos de variados calibres, se é que me faço entender. Cambada de meninos! Ainda é de noite, mas o tempo avança sem medo. Tenho a garganta seca, e os bolsos vazios. O costume. Quando o sol se espreguiçar, Alfama deixará de estar assim, sozinha, e as personagens do costume sairão das suas tocas, ainda com olheiras animalescas e com os fígados doentes. Para já está tudo calmo, mais calmo do que nunca.
Estou só, e a luz dos candeeiros divide em quatro a minha sombra no chão. Parece que tenho companhia, mas sou apenas eu. Estar só é uma coisa lixada. A solidão, quando acompanhada de álcool à mistura, pode dar uma bela história. Mas uma história triste, certamente. Avanço até à porta do café do Rick, já fechado. Apuro o ouvido, e parece-me ouvir lá dentro uma espécie de fado, qualquer coisa a lembrar uma melodia em tom triste e dormente. Deve estar nos meles, a comer a gaja do costume. A do costume, ou outra qualquer, que o sacana tem saída. Deve ser do sotaque manhoso. Só pode. A de ontem tinha umas pernas que pareciam autoestradas, e malhas nas meias que faziam lembrar pequenas lesmas a andar, quando se bamboleava. Pequenas lesmas! Um gajo tem cada ideia, quando está meio entornado… O sacana do Rick sabe-a toda. Deixou os caubóis e veio gozar o sol aqui da terra. Diz que prefere o povo de cá. E que gosta de fado misturado com outras músicas. Talvez esteja certo. Mas eu não sei se essa conversa me convence… Hoje nada me convence, nem faz sentido, essa é que é a verdade.
Reparo agora que o cheiro a tequila também vem de mim. Cum caraças! Que bafo! Se o café estivesse aberto, mesmo assim, ainda bebia mais uma, mas acho que tinha de ficar a dever. Ontem também fiquei, mas sou de boas contas. Bebi umas quantas e fiquei a ouvir os gajos que lá tocaram a noite toda, quase até ser dia. Dois tipos com pinta. Um de guitarra, chapéu a cobrir-lhe as fuças, sapatinho branco à pintas, e outro mais apinocadinho, de barbicha e contrabaixo. Ganda som! Fizeram-me sentir marinheiro, como o meu pai. Não sei se já vos disse, mas a solidão é uma cena lixada. Parece que nos come a carne até aos ossos. A bebida sempre ajuda um pouco, e sempre se viaja sem gastar muito guito. México, Chile, Argentina, um pezinho de dança num tango fadista, uma rockalhada para impressionar as gajas, mas tudo com calma, com estilo. Ya, os gajos eram bons! Não sei como é que o sacana do Rick descobre estes marmanjos e os mete a tocar naquela espelunca.
Ontem, ao ouvir os gajos, fechei os olhos, e quase chorei. Imaginei-me marinheiro, como o meu pai. Acho que já tinha dito isto, não já? Desculpem lá, mas não dá para mais. Ainda senti a brisa dos mares distantes, ontem, ao ouvir os gajos, de olhos fechados, e isso fez-me bem. Queimei o dedo com a ponta de um cigarro que parecia adormecido. E logo agora esta merda tinha de estar fechada. Abre essa pôrra, Rick! Mas nada. Acho que já nem música se ouve lá dentro. Deixa ver… sim, não se ouve um gemido, sequer. A farra já deve ter acabado, que ninguém aguenta a noite toda com uma gaja daquele calibre. O melhor é acender mais um cigarro (o último, caraças!) e meter-me a caminho. No estado em que estou, se algum mafioso daqui me apanha, já nem a casa chego. Que se lixe! Bora lá. Devagarinho, que é para ver se chego a Chelas sem me espalhar ao comprido.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Londres, uma vez mais (IV)


Uma preciosidade! Em Covent Garden, esta dupla conversava, enquanto eram filmados para alguma cadeia televisiva (suponho eu). Reparem nos pormenores das roupas, no ar dos dois antiques. A imagem fala por si.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Londres, uma vez mais (II)


I'm not a mod! Mas, na verdade, algo sempre me fascinou nessa cultura so british. No Soho vivemos esse espírito, pelo que na imagem não importa outra facto, que não o espírito da coisa.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Londres, uma vez mais (I)


From London with Love!

Desta vez com a família. Quatro dias muito bons, mas que souberam a pouco. Londres e nós. E agora, que tudo acabou, Londres em nós.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Poema

Não se ama
quando se ama

Talvez vivamos
na instância do amor
de sofrer com alegria
e do prazer dessa dor

domingo, 27 de abril de 2014

Eles estão a chegar!

Pré-encomenda feita. Agora só me resta esperar. Os Blondie estão de volta, e comemoram os 40 anos de carreira!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Michel Vaillant


A publicação desta maravilhosa coleção começou no passado dia 2, e tenho-os comprado e lido todos. Oito dos quinze volumes são inéditos em Portugal, o que é coisa de valor. O desenho dos álbuns mais recentes, na minha opinião, fogem um pouco ao aspeto das personagens que aprendi a conhecer desde muito novo (como está diferente Michel Vaillant em Em Nome do Filho, por exemplo!). Mas Vaillant está de volta, e isso é que importa. Espero ansiosamente por alguns, embora todos os inéditos sejam apetecíveis. Mas não vejo a hora de ter em mãos A Traição de Steve Warson, O Regresso de Steve Warson e Rali em Portugal

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Vinyl's Not Dead


Depois de tantos anos de procura, Journey To Dawn chegou às minhas mãos!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Poema

Não te importes
com os sonhos
que não te pertencem

Eles durarão um tempo inexistente
nas aspas da realidade

Procura antes os espaços invisíveis
entre as sombras do que vês
e tenta agarrar o pó das vontades
da tua imensa lucidez

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Passageiros da Neblina


"Não posso viver sem ti. A outra boca do inferno há-de engolir-me, embora não seja tão quente como a tua."
Esta é parte da mensagem enigmática que Aleister Crowley deixou, antes de desaparecer. Como se não bastasse a presença dessa figura escandalosa nas páginas de Passageiros da Neblina, ainda temos Fernando Pessoa, e Sintra, como grande cenário de parte da ação. Que mais poderei eu desejar para ler nestas mini-férias de Páscoa? 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

domingo, 30 de março de 2014

Na Bélgica (VII)


(onde há um menino atrevido e sem vergonha,



tem de haver uma menina a condizer)

Manneken Pis e Janneken Pis

quinta-feira, 27 de março de 2014

Na Bélgica (VI)


Última paragem: Bruxelas. A cidade não tem grande beleza. Não fosse a deslumbrante praça central, e não deixaria grandes recordações. Muita gente (mas não demasiada, ao ponto de incomodar), muita simpatia por parte de toda a gente, contrariando o que sempre fui ouvindo a propósito dos humores dos belgas. Os últimos três dias foram passados por aqui...

segunda-feira, 24 de março de 2014

Na Bélgica (V)


Um dos grandes momentos da viagem. Beber esta Garre foi um acontecimento (obrigado, Dick), mesmo sabendo que não se deve abusar do precioso líquido. É que 11 graus de volume deixa as suas marcas. Como não pode prová-la, repare na belíssima cor. Ah, prazer supremo!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Na Bélgica (IV)


A "Veneza do Norte", como lhe chamam. Achei um exagero, confesso. Bruges não precisa de aproximação à cidade italiana. Tem o seu encanto próprio por entre canais e terra firme.  

terça-feira, 18 de março de 2014

Na Bélgica (III)


Bruges é outra coisa! Linda, parece uma cidade de brincar, com cavalos e carroças. Passear pelos caminhos de Bruges é sempre uma festa. O céu estava limpo (esteve sempre, aliás) e o frio era muito pouco. Os melhores dias foram aqui.

sábado, 15 de março de 2014

Na Bélgica (II)


Ainda em Gent. Esta magnífica construção, assim que a vi, fez-me lembrar de outros tempos. Era miúdo, e na RTP passava uma série que me fascinou. Chamava-se Les Galapiats (Os Pequenos Vagabundos) e este castelo trouxe-me a memória dessas aventuras vividas na tv. Lembrei-me de Béatrice Marcillac (a personagem Marion), e dos suspiros que dei por ela.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Na Bélgica (I)


A primeira paragem foi em Gent. Bonita cidade, pessoas simpáticas,e cervejas, muitas cervejas. Le petit éléphant rose sempre a pairar por cima de mim.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rodelas Negras (III)


Amores antigos e recentes. O prazer de ouvir coisas que há anos e anos não ouvia. Na verdade, este regresso do vinil faz-me sentir que, afinal, a história pode repetir-se. Podemos regressar a uma passado que nunca passou, apenas permaneceu quieto e escondido numa qualquer dobra de tempo. Johnny Hallyday, os ABC, Neil Young e a Simone que sempre gostei, até começar a grafar o seu nome com uma estrela na ponta do i. Que bom tudo isto!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Altamont (a um clique de distância)


O I Blog Your Pardon! e o Altamont (music for the music generation) já estão ligados. É só clicar na imagem / logo à direita desta página para ter acesso ao melhor site de música feito em Portugal. Todos os dias há novidades, e por isso esperamos pela sua visita. Eu também ando pelo Altamont. É só procurar por mim, clicando no meu nome (Carlos Lopes) em algum dos artigos de minha autoria, e terá acesso imediato a todos os meus textos. Já são muitos e bons (digo eu). Mas o que importa verdadeiramente é desfrutar do prazer do site em toda a sua riqueza. Cerca de 30 pessoas fazem-no todos os dias, apenas para si. Não se esqueça disso, e apareça! Seja um altamontiano!




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Poema

Não me agarres pela mão
agora que nada quero
do passado
ou do futuro

Não quero ser levado
ao tempo dos instantes grandiosos
nem ao indistinto
amanhã

Apenas desejo da tua mão
o cheiro intenso que ficou
dos dias com sabor a hortelã

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Rodelas negras (II)


Mais cinco pérolas da minha vida! Comprei o disco Alibi, de Manuela Moura Guedes, no dia em que saiu, e ainda hoje julgo que serão poucos a tê-lo. Ao lado, um disco que amei sempre muito: East Side Story, dos míticos Squeeze. Por baixo, os icónicos Dare!, Brasil (uma constelação de estrelas em 6 belíssimas canções), e Select, o segundo da giríssima (sigh!) Kim Wilde. O vinil está mesmo de volta!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Poema

Nunca morei nas árvores
nem nunca habitei uma qualquer casa
nelas edificadas

Também nunca fui pássaro
e nem me fascinam
as suas asas ginasticadas

Tenho uma casa de chão
com cimento entre tijolo
de imperfeita construção

Dos pássaros apenas o encanto
de pensar voar por sobre
as casas em perfeita inação

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Rodelas negras (I)

Tenho dois ou três posts programados que lembram o passado (na sua essência), mas que são o futuro, no tempo presente. O vinil veio para ficar, assim espero, e com ele o charme das grandes rodelas negras transportadas debaixo do braço. Que encanto! Graças ao meu amigo e compadre Jorge Roque, tenho agora um gira discos (adoro a expressão assim dita, à antiga) e por essa mesma razão ando a recuperar álbuns antigos, que estavam algo perdidos na minha arrecadação. Tratar deles, limpar-lhes a poeira e a humidade, é como fazer festas ao passado. Ou melhor, carícias. Até já fiz, recentemente, algumas aquisições. O prazer desta redescoberta anima-me tanto, meu Deus! Daí a partilha, em fotos e texto. Começa agora, e sabe-se lá quando terminará.


Cds atrás, vinil à frente. O passado ultrapassa o presente, metaforicamente. Os primeiros discos que comprei de jazz estão na foto, nas pontas. Uma paixão antiga, ao meio: Hair (a banda sonora e highlights pela Original London Cast). Por cima, e teria de estar por cima, um dos discos da minha vida: Milagre dos Peixes ao Vivo, do meu queridíssimo Milton Nascimento. Perfeito!

* este post inaugura um novo tag: Vinil.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Poema

Acender uma vela
e vê-la até se apagar

(o tempo de uma vida a perdurar)