sábado, 16 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O meu amigo tigre (de leite)


Hoje voltei a ouvir "Tigermilk", dos Belle and Sebastian. E de novo fui invadido pela ternura daqueles sons tão encantadores. Que disco maravilhoso! Que elegância tão inocente e pura!

Há terapias que não falham...

Noite

Apresento-vos a noite
intensa e nua
de vontades
suspensa nos suspiros
estrelados dos seus olhos
e pronta para ser
(se o acaso se cumprir)
o tempo de todas
as verdades

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Assim não vale...


Joseph-Marie Vien (1716-1809)
A Vendedora de Cupidos, Paris, 1763
Óleo sobre tela, 98 x 122 cm
Musée national du château de Fontainebleau, depósito do Museu do Louvre, inv. n.º 8424 - Foto RMN / © Direitos reservados


Não nos deixemos enganar. Nem hoje, nem nunca!

Ternura

Ternura
nos ombros
onde pomos as mãos
ternura
onde prendemos
o olhar
ternura ainda
nos encontros por marcar
nas águas que correm
nos rios que secam
ternura
nas palavras invisíveis
nas sombras das árvores
no pousar das aves
em qualquer janela
ternura
que acontece
ao cair da noite
quando a noite é dia
ternura que só termina
no tempo em que se inicia

Urgente!



Mas não apenas hoje...


*esta imagem foi retirada do site http://estranhoamor.blogspot.com/

Ah, l'amour...


Hoje, se tivesse tempo, era este o filme que gostava de (re)ver.

Poema

No fundo
são poucas as coisas
que quero
menos ainda
as coisas que venero
de tão simples
pequenas
residuais

Um arrepio na pele
uma página por virar
olhar sem medo
em redenção

O resto é perda de tempo
rumor sombrio
e solidão

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Lembrete (para o dia de amanhã)


Não oferecer
rosas
nem perfumes
nem anéis...

Num beijo
cabe tudo isso
e muito mais

Poema

Que versos são esses
que se derretem
no branco do papel?

De que são feitos
que luz vital
os ilumina?

Parecem versos sonhados
entre menino e menina

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Lembrete


Dia 18 de Fevereiro: acordar cedo e ir comprar o disco mais esperado do ano. Depois fechar-me em casa a ouvi-lo em repeat até alguém me despertar para as obrigações diárias.

ah, e não esquecer os bilhetes para o Coliseu...

Poema

Sou um homem
um miúdo que cresceu
sem pedir esse milagre

Aconteceu
que me entreguei
ao precipício do tempo
e fui ficando
na teia que me prendeu
à condição de ser sempre
o miúdo
que existiu

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Poema

A noite avança
com a rapidez de um cometa
e no fundo frio
da cama
há um corpo
que reclama
a memória
adormecida

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Poema em voz de mulher

...Sem que procure
vou encontrando
o lado escuro
de um sol tamanho...

...e se quiseres
ser luz agora
não percas tempo
que o amor demora...

...mas se o acaso
mostrar-se a jeito
terás abrigo
entre o meu peito...

...e se algum dia
o sol brilhar
verás que a vida
terá lugar...


* versos vagamente inspirados na melodia da canção Pesar do Mundo (José Miguel Wisnik / Paulo Neves), cantada por Caetano Veloso, no disco Onqotô

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Só um poema

Estar só
viver assim
à beira mar
dos desencontros
e olhar nos olhos
dos outros
na esperança de ver
que os nossos existem
mesmo que sós
mesmo sem voz
a repetir
o drama dos dias:
estar só
e habitar
as manhãs frias

Tempo perdido?

Sabes como vencer o tempo se é o tempo que te condena?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Poema

As palavras servem-nos de enfeite
vaidosas que são
quando as dizemos
exalam um perfume doce
de vozes que nunca ouvimos
e assim tornam-se nossas
mesmo antes de as dizermos

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Poema antes de nascer

Fala-me do que não pensas
do que não há
daquilo que é grão no pensamento
para que possa ver no escuro
a prévia luz do nascimento

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Clare Bowditch


Confesso que fui surpreendido. Não estava à espera que uma ruiva entrasse na minha vida assim, sem aviso, e se instalasse em casa numa pose algo sobranceira, do estilo agora vê lá se te consegues livrar de mim! E, na verdade, não tenho conseguido...
Chama-se Clare Bowditch e conta em The Moon Looked On com os The Feeding Set. O disco é de 2007. Não se pense que é genial ou coisa que o valha. Não é. Possivelmente, sem que ela se aperceba, deixarei, mais dia menos dia, a porta entreaberta para que saia da mesma forma que entrou. Mas tem uma voz tão aprazível e canta versos que dizem "If you're outside looking in and you see me inside waving / could you place your fat lips on the window glass? / And I will blow a short hot breath and draw my secrets into it...", e isso deixa-me inquieto. Muito inquieto, percebem?

Poema aceso nas estrelas

Escureceu
apagou-se o último
suspiro das estrelas

Está fria a noite
tão escura a noite

Mas há outras luzes...
e só eu
consigo vê-las

Poema

É por dentro
bem dentro
rente à pele
é no olhar
que resplandece
no sorriso
que amanhece o dia
por fim
timidamente

É no peito
é na ferida e no ardor
é desse jeito
que existes
é tudo isso
ou talvez
nem isso
meu amor

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Estranha forma de existirmos


Pequenas luzes que brilham no escuro. Sinais que se movem ao nosso encontro.
Estamos todos perdidos, não estamos? Parece fatal essa ideia de destino que nos troca as voltas, que nos empurra. Parece que a vida é mesmo isto, sombras de outros em nós. Estamos todos rendidos, não estamos? E circulam ao redor - passageiras sem sentido -, como setas, rápidas, certeiras, as horas que regem os dias. Estamos todos marcados, não estamos? Mas existimos mesmo assim, iluminados por pequenas luzes que brilham no escuro, por sinais que se movem ao nosso encontro.


*imagem de Paula Vanessa Varela

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Fleet Street


Ontem cortei-me todo! Foi tão bom!

Alguma luz


Cinza, negro, alguma luz tingida em tons escuros, alguma esperança, mesmo assim. As pedras, os caminhos sinuosos, os obstáculos, as veias, as artérias por onde circulamos. Nunca o destino esteve tão próximo, acolhedor...
Deitar-me nele e adormecer. Sem certezas, sem rumos, apenas a vontade física de lhe pertencer.


*esta imagem foi retirada do site http://olharmacro.blogspot.com/

Enigma

Um dia
quando menos se esperar
a noite terá a luz do dia
e será noite
em qualquer outro lugar

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Poema

É sobretudo quando falas
quando a voz
pertence aos lábios
às mãos nos cabelos
à valsa das ancas em silêncio
sobretudo quando ris
e a cara se ilumina
de imagens tão distantes
ou quando o peito se aflige
no rasgo da blusa
(como um sorriso de pano!)
a pedir colo
consolo de palavras e amor

É sobretudo quando transformas a vida
em algo muito maior

sábado, 2 de fevereiro de 2008

De mãos dadas


Vinte e cinco anos não são nada. É pouco tempo. Há um tempo maior que não termina nunca.Esse tempo não se vê, mas habita nos sorrisos que permaneceram iguais porque venceram o tempo. Reduziram-no. Eliminaram-no.
E por isso, estivemos sempre de mãos dadas para lhe fazermos frente. Mesmo sem o sabermos...


*para a Teresa, Paula, Vanda, Lena e Rute, intrusa muito bem recebida

Já?


Já adormeceste alguma vez com um sorriso no olhar?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Apagar


Procurava alguém que lhe dissesse o caminho certo, que rumo tomar, como esquecer o passado que a perseguia e lhe tomava o pulso dos dias e das horas. Queria esquecer tudo, anular tudo, apagar tudo, tudo mudar. Mas como fazê-lo? O rasto do que fomos e vamos sendo é sempre visível. Tão visível, tão presente... Por vezes basta olhar para trás. É também lá que estamos até o tempo apagar todos os vestígios. Até nos apagar. E foi isso que aconteceu...


*esta imagem foi retirada do site http://emanuela.blogs.sapo.pt/

Poema às primeiras horas de Fevereiro

Fevereiro é assim:
um canteiro de dias
por regar
até florir
um tempo novo
sem pressa
de se afirmar