sábado, 16 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
O meu amigo tigre (de leite)

Hoje voltei a ouvir "Tigermilk", dos Belle and Sebastian. E de novo fui invadido pela ternura daqueles sons tão encantadores. Que disco maravilhoso! Que elegância tão inocente e pura!
Há terapias que não falham...
Noite
Apresento-vos a noite
intensa e nua
de vontades
suspensa nos suspiros
estrelados dos seus olhos
e pronta para ser
(se o acaso se cumprir)
o tempo de todas
as verdades
intensa e nua
de vontades
suspensa nos suspiros
estrelados dos seus olhos
e pronta para ser
(se o acaso se cumprir)
o tempo de todas
as verdades
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Assim não vale...
Ternura
Ternura
nos ombros
onde pomos as mãos
ternura
onde prendemos
o olhar
ternura ainda
nos encontros por marcar
nas águas que correm
nos rios que secam
ternura
nas palavras invisíveis
nas sombras das árvores
no pousar das aves
em qualquer janela
ternura
que acontece
ao cair da noite
quando a noite é dia
ternura que só termina
no tempo em que se inicia
nos ombros
onde pomos as mãos
ternura
onde prendemos
o olhar
ternura ainda
nos encontros por marcar
nas águas que correm
nos rios que secam
ternura
nas palavras invisíveis
nas sombras das árvores
no pousar das aves
em qualquer janela
ternura
que acontece
ao cair da noite
quando a noite é dia
ternura que só termina
no tempo em que se inicia
Poema
No fundo
são poucas as coisas
que quero
menos ainda
as coisas que venero
de tão simples
pequenas
residuais
Um arrepio na pele
uma página por virar
olhar sem medo
em redenção
O resto é perda de tempo
rumor sombrio
e solidão
são poucas as coisas
que quero
menos ainda
as coisas que venero
de tão simples
pequenas
residuais
Um arrepio na pele
uma página por virar
olhar sem medo
em redenção
O resto é perda de tempo
rumor sombrio
e solidão
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Poema
Que versos são esses
que se derretem
no branco do papel?
De que são feitos
que luz vital
os ilumina?
Parecem versos sonhados
entre menino e menina
que se derretem
no branco do papel?
De que são feitos
que luz vital
os ilumina?
Parecem versos sonhados
entre menino e menina
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Lembrete
Poema
Sou um homem
um miúdo que cresceu
sem pedir esse milagre
Aconteceu
que me entreguei
ao precipício do tempo
e fui ficando
na teia que me prendeu
à condição de ser sempre
o miúdo
que existiu
um miúdo que cresceu
sem pedir esse milagre
Aconteceu
que me entreguei
ao precipício do tempo
e fui ficando
na teia que me prendeu
à condição de ser sempre
o miúdo
que existiu
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Poema
A noite avança
com a rapidez de um cometa
e no fundo frio
da cama
há um corpo
que reclama
a memória
adormecida
com a rapidez de um cometa
e no fundo frio
da cama
há um corpo
que reclama
a memória
adormecida
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Poema em voz de mulher
...Sem que procure
vou encontrando
o lado escuro
de um sol tamanho...
...e se quiseres
ser luz agora
não percas tempo
que o amor demora...
...mas se o acaso
mostrar-se a jeito
terás abrigo
entre o meu peito...
...e se algum dia
o sol brilhar
verás que a vida
terá lugar...
* versos vagamente inspirados na melodia da canção Pesar do Mundo (José Miguel Wisnik / Paulo Neves), cantada por Caetano Veloso, no disco Onqotô
vou encontrando
o lado escuro
de um sol tamanho...
...e se quiseres
ser luz agora
não percas tempo
que o amor demora...
...mas se o acaso
mostrar-se a jeito
terás abrigo
entre o meu peito...
...e se algum dia
o sol brilhar
verás que a vida
terá lugar...
* versos vagamente inspirados na melodia da canção Pesar do Mundo (José Miguel Wisnik / Paulo Neves), cantada por Caetano Veloso, no disco Onqotô
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Só um poema
Estar só
viver assim
à beira mar
dos desencontros
e olhar nos olhos
dos outros
na esperança de ver
que os nossos existem
mesmo que sós
mesmo sem voz
a repetir
o drama dos dias:
estar só
e habitar
as manhãs frias
viver assim
à beira mar
dos desencontros
e olhar nos olhos
dos outros
na esperança de ver
que os nossos existem
mesmo que sós
mesmo sem voz
a repetir
o drama dos dias:
estar só
e habitar
as manhãs frias
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Poema
As palavras servem-nos de enfeite
vaidosas que são
quando as dizemos
exalam um perfume doce
de vozes que nunca ouvimos
e assim tornam-se nossas
mesmo antes de as dizermos
vaidosas que são
quando as dizemos
exalam um perfume doce
de vozes que nunca ouvimos
e assim tornam-se nossas
mesmo antes de as dizermos
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Poema antes de nascer
Fala-me do que não pensas
do que não há
daquilo que é grão no pensamento
para que possa ver no escuro
a prévia luz do nascimento
do que não há
daquilo que é grão no pensamento
para que possa ver no escuro
a prévia luz do nascimento
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Clare Bowditch

Confesso que fui surpreendido. Não estava à espera que uma ruiva entrasse na minha vida assim, sem aviso, e se instalasse em casa numa pose algo sobranceira, do estilo agora vê lá se te consegues livrar de mim! E, na verdade, não tenho conseguido...
Chama-se Clare Bowditch e conta em The Moon Looked On com os The Feeding Set. O disco é de 2007. Não se pense que é genial ou coisa que o valha. Não é. Possivelmente, sem que ela se aperceba, deixarei, mais dia menos dia, a porta entreaberta para que saia da mesma forma que entrou. Mas tem uma voz tão aprazível e canta versos que dizem "If you're outside looking in and you see me inside waving / could you place your fat lips on the window glass? / And I will blow a short hot breath and draw my secrets into it...", e isso deixa-me inquieto. Muito inquieto, percebem?
Poema aceso nas estrelas
Escureceu
apagou-se o último
suspiro das estrelas
Está fria a noite
tão escura a noite
Mas há outras luzes...
e só eu
consigo vê-las
apagou-se o último
suspiro das estrelas
Está fria a noite
tão escura a noite
Mas há outras luzes...
e só eu
consigo vê-las
Poema
É por dentro
bem dentro
rente à pele
é no olhar
que resplandece
no sorriso
que amanhece o dia
por fim
timidamente
É no peito
é na ferida e no ardor
é desse jeito
que existes
é tudo isso
ou talvez
nem isso
meu amor
bem dentro
rente à pele
é no olhar
que resplandece
no sorriso
que amanhece o dia
por fim
timidamente
É no peito
é na ferida e no ardor
é desse jeito
que existes
é tudo isso
ou talvez
nem isso
meu amor
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Estranha forma de existirmos

Pequenas luzes que brilham no escuro. Sinais que se movem ao nosso encontro.
Estamos todos perdidos, não estamos? Parece fatal essa ideia de destino que nos troca as voltas, que nos empurra. Parece que a vida é mesmo isto, sombras de outros em nós. Estamos todos rendidos, não estamos? E circulam ao redor - passageiras sem sentido -, como setas, rápidas, certeiras, as horas que regem os dias. Estamos todos marcados, não estamos? Mas existimos mesmo assim, iluminados por pequenas luzes que brilham no escuro, por sinais que se movem ao nosso encontro.
*imagem de Paula Vanessa Varela
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Alguma luz
Cinza, negro, alguma luz tingida em tons escuros, alguma esperança, mesmo assim. As pedras, os caminhos sinuosos, os obstáculos, as veias, as artérias por onde circulamos. Nunca o destino esteve tão próximo, acolhedor...
Deitar-me nele e adormecer. Sem certezas, sem rumos, apenas a vontade física de lhe pertencer.
*esta imagem foi retirada do site http://olharmacro.blogspot.com/
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Poema
É sobretudo quando falas
quando a voz
pertence aos lábios
às mãos nos cabelos
à valsa das ancas em silêncio
sobretudo quando ris
e a cara se ilumina
de imagens tão distantes
ou quando o peito se aflige
no rasgo da blusa
(como um sorriso de pano!)
a pedir colo
consolo de palavras e amor
É sobretudo quando transformas a vida
em algo muito maior
quando a voz
pertence aos lábios
às mãos nos cabelos
à valsa das ancas em silêncio
sobretudo quando ris
e a cara se ilumina
de imagens tão distantes
ou quando o peito se aflige
no rasgo da blusa
(como um sorriso de pano!)
a pedir colo
consolo de palavras e amor
É sobretudo quando transformas a vida
em algo muito maior
sábado, 2 de fevereiro de 2008
De mãos dadas
Vinte e cinco anos não são nada. É pouco tempo. Há um tempo maior que não termina nunca.Esse tempo não se vê, mas habita nos sorrisos que permaneceram iguais porque venceram o tempo. Reduziram-no. Eliminaram-no.
E por isso, estivemos sempre de mãos dadas para lhe fazermos frente. Mesmo sem o sabermos...
*para a Teresa, Paula, Vanda, Lena e Rute, intrusa muito bem recebida
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Apagar

Procurava alguém que lhe dissesse o caminho certo, que rumo tomar, como esquecer o passado que a perseguia e lhe tomava o pulso dos dias e das horas. Queria esquecer tudo, anular tudo, apagar tudo, tudo mudar. Mas como fazê-lo? O rasto do que fomos e vamos sendo é sempre visível. Tão visível, tão presente... Por vezes basta olhar para trás. É também lá que estamos até o tempo apagar todos os vestígios. Até nos apagar. E foi isso que aconteceu...
*esta imagem foi retirada do site http://emanuela.blogs.sapo.pt/
Poema às primeiras horas de Fevereiro
Fevereiro é assim:
um canteiro de dias
por regar
até florir
um tempo novo
sem pressa
de se afirmar
um canteiro de dias
por regar
até florir
um tempo novo
sem pressa
de se afirmar
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