sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Poema

O tempo balança
os minutos que passam

e num segundo
já não somos nada
(mas fomos sempre tão pouco)

um muro
um caminho
em construção
uma avenida
uma criança em equilíbrio
com medo
de pisar a vida

Poema

São poucos
os mistérios do mundo

(que idade tens
que vícios persegues)

São tuas as mãos
nas minhas
no embalo destes versos

Diz-me quem sopra
este vento forte
no dia que corre
e para que lado
dorme a noite

Poema

Quase tudo o que quero
está ao meu alcance
rosas vermelhas
a florir nas mãos
límpidas águas
no horizonte
e um olhar brilhante e nu
aqui defronte.

Tenho quase tudo
quase tudo
quase tu.

Devendra de volta


Ainda não, fisicamente. O disco só sairá lá para finais de Setembro, mas já se podem experimentar as novas delícias do excêntrico tropicalista não brasileiro do século XXI. Chama-se Smokey Rolls Down Thunder Canyon e é um salto em frente na sua obra discográfica. Mais tropicalista, algo rocky, menos free folk que os anteriores, mas ainda assim um trabalho com marca de Devendra Banhart. As influências da Tropicália de Caetano Veloso e restantes parceiros são cada vez mais notórias (para meu contentamento) e este será seguramente mais um disco de culto (cada vez mais alargado) do prodígio Texano. A grande surpresa talvez seja a soberba canção Rosa (ou Rose, como também aparece em alguns sites) com a participação de Rodrigo Amarante, dos Los Hermanos. A faixa é cantada em português. É de ouvir e chorar por mais, garanto-vos.
Já tenho prenda de aniversário garantida...

nota: algumas partes instrumentais da faixa Seahorse (magnífica, aliás) fazem lembrar claramente Golden Brown, dos Stranglers. Curioso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Onde deveremos sempre estar


Aos poucos tudo parece começar a ganhar forma. Mais atitude, mais futebol, mais dinamismo, mais Benfica. Estamos no grupo dos Campeões.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Japrocksampler - parte II


No dia vinte e três de Junho referi neste blog que um novo livro de Julian Cope seria comercializado em Setembro. Tudo verdade, ou quase. Ainda é Agosto e já se vende em Inglaterra. Chegou-me hoje às mãos e estou pronto para começar a aventura...
Não se prevê edição portuguesa, seguramente. Nenhum dos livros deste autor existe traduzido por cá.

nota: a imagem que ilustra este post é a capa de um dos muitos discos referenciados no livro de J.C.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Os Cinco


Ando nostálgico. Talvez por isso me apeteça lembrar esta colecção de livros que me acompanharam em muitos dos dias da minha infância. Eram 21 ao todo e de todos eles tenho boas recordações. O número 2 (Nova Aventura dos Cinco) e o número 13 (Os Cinco na Planície Misteriosa) eram os meus favoritos. Talvez este último ainda mais que o anterior. Publicados pela Editorial Notícias, a colecção d'Os Cinco é intemporal. Ainda os tenho. Quem sabe os meus filhos lerão essas mesmas páginas daqui a alguns anos.
Eu bem disse: ando nostálgico.

Colour me your colour, baby


Faz exactamente hoje 27 anos que comprei este single. Era o tempo do vinil e estávamos no século passado, início dos maravilhosos anos oitenta. Nessa altura nada havia melhor do que os Blondie. Para mim eles eram o máximo.
Ela - Debbie Harry - era um pouco mais do que isso...
Ouvi os discos dos Blondie mais vezes do que quaisquer outros em toda a minha vida. E, obviamente, a minha juventude teve neles a sua banda sonora. Call Me é uma música contagiante. Um tiro certeiro para ouvidos teen. Mas, confesso, ainda hoje me rendi ao prazer de ter na mão este single. Música e objecto, ao mesmo tempo memória e paixão.
"Anytime, anyplace, anywhere, anyway..."

domingo, 26 de agosto de 2007

Insónia


Quando a noite
me rouba o sono
as estrelas movem-se
dançando
e nos cantos mais escuros
da casa
fazem-se festas em silêncio
para só eu ouvir

Obrigado, Jorge


Voltou aos discos uma vez mais. E mais uma vez voltou bem. Bem melhor do que o anterior, aliás. Chama-se Voo Nocturno e é o novo disco de Jorge Palma. Quando se ouve Encosta-te a Mim na rádio, o verão torna-se mais intenso, mais bonito e tudo parece brilhar de outra maneira. Quantas canções portuguesas são tão perfeitas assim? Ando com ela há vários dias na cabeça e não me canso nem me queixo.
Apetece-me agradecer este milagre. Porque é mesmo disso que se trata.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Som sueco


Enganem-se aqueles que pensam que somente do Canadá chegam os melhores nomes da música actual. Jens Lekman é sueco e este é o seu terceiro trabalho de longa duração. A edição está prevista para Outubro, mas posso garantir-vos que é belíssimo. A começar pela capa. Night Falls Over Kortedala pode não trazer nada de novo, mas por vezes não é isso que se deseja. A melodia perfeita, o timbre melancólico, as letras inspiradas fazem sempre falta e são um prazer que não se deve recusar. Por vezes faz lembrar Scott Walker, nos primeiros tempos.
Um pouco do fresco outonal no verão que ainda se vive.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Fim de férias

Terminaram as férias. Ainda bem. Não foram bons os dias longe de casa. Muitos problemas, felizmente todos eles resolvidos. Mas a verdade é que não vão deixar saudades. Antes pelo contrário... Terão sido as piores férias que a minha memória alcança.
Agora temos mais onze meses até tudo ser de novo paz e descanso.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

É favor não incomodar...



Chegou o momento de descanso. Malas feitas e vontade em alta para uns dias longe dos sítios de sempre. O sul é o destino. O sol é o que se deseja. Enfim, férias! Lá para o final de Agosto voltarei a estas páginas. Até já.

Poema

Anoiteceu.

Florescem sombras
no interior das casas,
no interior de nós.
Tudo colapsa,
tudo parece ceder
como se fossemos restos
de um dia
por nascer.

Anoiteceu.

Senhor Fantasma


É sempre reconfortante levar mais alguns livros de última hora para as férias que se avizinham. Como este que comprei hoje e já jurei a mim mesmo não lhe tocar antes do sol algarvio me dar licença. Mais um livro de poemas a juntar a outros. Alguma prosa já está igualmente guardada para o mesmo efeito. Revistas também, para os fins de tarde.
Falar um pouco de Senhor Fantasma é-me impossível, como podem perceber do que escrevi. Mas a esperança que vá bem com o descanso ao sol é muito grande. E se o livro exigir dois dedos de whisky em momento de contemplação, ainda melhor.

Aliás, não há que ter medo de fantasmas...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Diabos à solta


Já começo a sentir no ar a vontade de voltar. De voltar ao meu lugar, ao meu estádio para ver a minha equipa. De voltar às tardes e noites de glória, ao sofrimento de quem puxa por quem se gosta, vontade de gritar bem alto o único nome que me vai na alma naqueles momentos e sentir que vale a pena, que o coração aguenta sempre mais uma vitória, mais uma conquista, mesmo que fique apertado durante quase hora e meia para, de repente, rebentar de emoção.
Eu vou lá estar, vamos lá estar todos e vamos vencer quem por lá apareça.
Sempre!

terça-feira, 24 de julho de 2007

Três respostas

O que diz uma lágrima?


Que palavras
ficam escritas
enquanto escorre
nas linhas do rosto?


Histórias de encanto
ou de desgosto?

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Pato Fu


Ainda mal o ouvi e o juízo pode ser prematuro. Mas este nono disco da banda brasileira parece bem mais interessante que o anterior. Por isso a pressa em o colocar nestas páginas. Gosto muito de Pato Fu. É uma banda excêntrica, capaz de músicas inusitadas, com algum psicadelismo tropical à boa maneira d'Os Mutantes (embora sempre me parecesse despropositada essa comparação por parte da crítica, a verdade é que estou aqui a referir isso mesmo...). Chama-se Daqui Pro Futuro e deve estar disponível fisicamente no final mês que vem.
Curioso é o facto deste novo trabalho da banda mineira aparecer em selo próprio pela primeira vez na história do grupo e surgir já em formato digital em vários sites e blogs. A voz aparentemente mais frágil do Brasil (refiro-me a Fernanda Takai) já me canta aos ouvidos, uma vez mais!

domingo, 22 de julho de 2007

Poema

Digo apenas
para que saibas
que no mar à nossa frente
morrerei afogado
em palavras

sábado, 21 de julho de 2007

Poema

Se ao menos
um verso fosse capaz
de arrancar das pedras
o êxtase de vivermos...

Poema

É tão difícil
ver brotar da terra
a semente de um novo dia!

The Fiery Furnaces


Gosto dos The Fiery Furnaces. São uma dupla imbatível em inventividade. Arrisco mesmo dizer que poucas são as bandas que numa só faixa espalham ideias que dariam para três ou quatro músicas. Window City é o novo disco de Matthew e Eleanor Friedberger que só sairá lá para Agosto ou Setembro. Já o tenho e gosto. Gosto das músicas longas, da excentricidade e da capa. Gosto muito da capa. Tem um ar retrô que vai bem com a atitude clever-clever que é a sua imagem de marca.

Mais um disco para o meu verão algarvio, daqui a dias...

Poema

Hoje
visitei paixões antigas
um livro um gerânio a voz do vento

Quem sabe
se amanhã
vestirei de outras cores
o desalento

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Três poemas para Mia Couto

I
Estendes as palavras como saias
e no manto delas
sussurram as vozes das micaias

II
Nem sempre a terra nos sustenta
a braços com seus vazios
nem sempre da água nascem rios
rumo a paragens distantes
e quase nunca as noites frias
são maiores do que os instantes

III
Agora
o tempo desperta em novas vagas
e a palavra já assenta
na ténue certeza das miragens


(* estes poemas foram publicados no jornal Ecos de Belém, a oito de Outubro de 1994, embora apareçam agora ligeiramente modificados.)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Poema

Deve ser da lua
do calor da noite
do vento que passa

Ou talvez da estrela
que brilha mais alto
por cima de mim

Quem sabe é do mar
que se escuta ao longe
depois do horizonte

Ou por não passares
pela minha vida
que hoje estou assim

Brain Donor


Já tem seis anos este disco, mas continua a rodar nos ares lá de casa e no meu iPod. É rock sujo, garage rock, estridente, e tem tudo aquilo que em princípio não deveria gostar. Mas adoro. Talvez por ser mais um dos side projects de Julian Cope...
Chama-se Love, Peace & Fuck (sim, isso mesmo), e a banda (um power trio) dá pelo nome de Brain Donor. Se lhe apetecer gritar e pular ao som de algo mais ruidoso, já sabe o que pode procurar.
Uma última palavra para a capa (foto acima): sinistra, psicadélica, uma obra-prima.

ps: também existe em versão vinil duplo, e só vos digo que é um objecto maravilhoso.

terça-feira, 17 de julho de 2007

A geografia do corpo

Parece um deserto
estendido entre lençóis
de areia.

O corpo não mata a sede
quando a vontade
escasseia.

Yada yada yada


A oitava série já por aí anda. E, se não me engano, é a penúltima. Antes do Natal vamos poder ter todos os episódios em casa. Apesar de já os ter visto vezes sem conta, sabe sempre bem vê-los uma vez mais.
Quem é o seu preferido? Elaine Benes, Cosmo Kramer, George Costanza ou Jerry Seinfeld? Não vale a pena responder. A pergunta de nada serve. Afinal, esta é uma série sobre isso mesmo: coisa nenhuma!

Acho que está na hora da minha t-shirt do Kramer sair da gaveta, uma vez mais!

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A geografia do rosto

Duas ilhas
lado a lado
o céu azul
(e palmeiras agitando ao seu redor)

Um pequeno monte
a encimar a fenda
aberta em espanto

E o gesto inquieto
de um sorriso franco