(ouvir pode também ser ler)
segunda-feira, 25 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Refrão para uma canção futura
Tenho o coração partido
que não para de doer
mas serei um bom marido
para quem gosta de sofrer
sábado, 16 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Poema
Adília e eu
temos o mesmo apelido
mas nos géneros
nada nos emparelha
Ela bebe capilé
eu sempre bebi groselha
sexta-feira, 1 de abril de 2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
O Herói Discreto
Depois de me ter rendido ao livro A Civilização do Espetáculo (leitura recentemente terminada), ando agora fascinado por este O Herói Discreto. Na verdade, Mario Vargas Llosa é um velho e bom amigo com quem não convivia há já algum tempo. Com novo romance já publicado, embora ainda não entre nós, Mario Vargas Llosa continua a ser um dos meus romancistas de eleição. O Herói Discreto apenas me avivou, de novo, essa íntima certeza.
sexta-feira, 18 de março de 2016
Instruções de voo
Prenda um cordel
a uma palavra
e atire-a para longe
(se não voar
alguém voará
por si)
a uma palavra
e atire-a para longe
(se não voar
alguém voará
por si)
quarta-feira, 9 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Um imenso adeus
«Do mundo, nós dizemos que as leis da gravidade universal são as enunciadas por Newton, ou que é verdade que Napoleão morreu em Santa Helena a 5 de maio de 1821. E todavia, se tivermos um espírito aberto, estaremos sempre dispostos a rever as nossas convicções, no dia em que a ciência enunciar uma reformulação diferente das grandes leis cósmicas, ou um historiador descobrir documentos inéditos que provem que Napoleão morreu num navio bonapartista quando tentava a fuga. Em contrapartida, em relação ao mundo dos livros, proposições como Sherlock Holmes era solteiro, a Capuchinho Vermelho foi devorada pelo lobo mas depois libertou-a o caçador, Anna Karénina mata-se, permanecerão eternamente verdadeiras e nunca poderão ser refutadas por ninguém. Há pessoas que negam que Jesus fosse filho de Deus, outras que inclusivamente põem em causa a sua existência histórica, outras que afirmam que é o Caminho, a Verdade e a Vida, outras ainda que consideram que o Messias ainda está para vir e nós, seja como for que pensemos, tratamos com respeito estas opiniões. Mas ninguém tratará com respeito quem afirmar que Hamlet se casou com Ofélia ou que o Super-Homem não é Clark Kent.»
Sobre a Literatura, Umberto Eco.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Poema
Chegou para ficar
a notícia da tua morte
Que má sorte o dia
em que o sol fingiu nascer
Pudera eu ficar contigo
e a manhã não se faria
Assim tão negra
e tão vazia
Fazendo-me duvidar se eras tu
ou era eu que aí morria
a notícia da tua morte
Que má sorte o dia
em que o sol fingiu nascer
Pudera eu ficar contigo
e a manhã não se faria
Assim tão negra
e tão vazia
Fazendo-me duvidar se eras tu
ou era eu que aí morria
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
(I Am Still Touched by Your) Presence, Bowie.
Capa da revista Uncut de março próximo.
Mais um tributo ao génio.
* o título deste post recorda uma conhecida canção dos Blondie, um dos poucos ídolos vivos da minha juventude.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Je Suis Bowie
Caiu o pano sobre a vida de David Bowie. O mundo terá
estremecido, sem que déssemos conta de que qualquer coisa estranha se passava.
Devia estar a dormir, seguramente, mas quero acreditar que uma bonita melodia
atravessou a minha noite, fazendo solto o sono que me embalou.
Depois, já desperto para mais um dia, recebi a terrível
notícia... Era o tal estremecimento
que falava há pouco. Chegou tarde, da mesma forma como eu próprio cheguei a
Bowie, algo tardiamente. É que passei algum tempo a ouvir coisas que só existiram porque Bowie existiu, e não dei conta disso
durante um largo período, desperdiçando horas e horas e horas a ouvir
sucedâneos, em vez de dar valor ao original. Coisas da juventude, de que ainda
hoje me penetencio.
Passei a manhã a dar aulas, e reservei os primeiros minutos
de cada uma para falar de David Bowie. Disse aos meus alunos que eu, que tanto
gosto de ser professor de Português e que não me vejo a ensinar qualquer outra
matéria, gostaria de ser hoje, e apenas hoje, professor de Inglês. Se assim
fosse, passaria as minhas aulas a falar do homem que inventou Ziggy Stardust,
Threepenny Pierrot, The Thin White Duke e tantas outras marcantes personagens
que soube encenar em toda a sua vida. A encenação, o teatro, a vida artificial,
mesmo que coincidente com a verdadeira, foram o palco estético e musical de
Bowie. Foi aí, nesse limbo entre o que existe e o que queremos que exista, que
David Bowie soube viver, e viveu uma vida cheia, com toda a certeza. Eu
continuarei a viver a minha parca vida, agora sem ele, mas sempre com ele
também. Passaremos os dois, como neste preciso momento, a ouvir o que nos
deixou, lado a lado. Umas vezes em silêncio, pensativo, outras de forma mais
enérgica, quase rebel rebel. Nunca mais
me atreverei a deixá-lo longe de mim por muito tempo. Até porque já tenho idade
suficiente para perceber que a eternidade é uma mentira, sobretudo para alguns. Para
Bowie, ao contrário, a eternidade não
terá fim.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Os Melhores Discos de 2015
Já é uma tradição antiga aqui no I Blog Your Pardon, pelo que se repete, uma vez mais, este ano. Cá estão os eleitos!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
sábado, 5 de dezembro de 2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Ninguém escreve como tu
Andei a vasculhar pens antigas e deparei com alguns textos meus que escrevi para jornais e revistas. Recuperei este, que deve ter sido escrito há uns 16 ou 17 anos, era a minha filha muito pequena. Tudo a propósito de uma extraordinária entrevista que António Lobo Antunes deu à Pública (revista do jornal Público), se não me engano, e que tinha como título Ninguém Escreve Como Eu. Deixo-o aqui, para "memória futura".
...
Ninguém escreve como tu. Ninguém. E não era preciso dizê-lo. A verdade, por muito que custe a muitos, é que ninguém escreve como tu. Nem mesmo tentando, como agora, na febre da escrita às três da manhã, onde o silêncio é tanto que paro e escuto a memória já um pouco adormecida de uma voz que diz
- «Você é um anarquista, um marginal, você pactua com o leste, você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
- «Você é um anarquista, um marginal, você pactua com o leste, você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
e olho para o teto para aliviar os olhos no branco da tinta do teto sem as linhas do papel por cima do branco imaculado das folhas, e de súbito a voz da minha filha que me chama
- «você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
do fundo do seu quarto e sei que deve estar de joelhos por cima do edredon da Disney com os braços abertos para o colo que só os pais sabem dar
- papá, papá
largo a caneta e o caderno, tiro os olhos do branco do tecto e reparo numa ponta de humidade ( porque o inverno vai longo e húmido, pouco chuvoso é certo, mas que está a ser húmido, está )
- papá, papá
e os chinelos que não estão no sítio para os calçar e a voz de novo a trovejar
- «você é um anarquista, um marginal»
os braços da minha filha esticados para o conforto dos meus, e ao contornar a cama tropeço nos chinelos fora do sítio habitual e digo
- já vou pipoquinha, já vou
sempre com a ideia da voz distante que a razão não apagou ainda, procuro a luz do quarto para não tropeçar em mais nada, para não assustar a minha filha já de si assustada por sonhos que todas as crianças teimam em ter a meio da noite, a meio dos sonhos dos adultos, tomo-a nos braços e faço o percurso inverso até ao ponto de partida, esquivando-me das armadilhas dos chinelos e das vozes
- «você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
quando são já quase quatro horas da manhã e a vontade inicial destas linhas era apenas dizer que ninguém escreve como tu, António, por muito que custe a muitos, ninguém escreve como tu.
(Os excertos entre aspas foram retirados da sua primeira obra publicada, Memórias de Elefante. )
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
Poema
O senhor Ricardo Reis
nunca chegou a saber
que a sua Lídia
casou com
Álvaro de Campos
E que foram viver para
perto da foz
de um rio importante
onde os dois
(antigamente)
nunca estiveram
Não sei se foram felizes
ou não
mas que fizeram muitos
e bons disparates
lá isso fizeram
nunca chegou a saber
que a sua Lídia
casou com
Álvaro de Campos
E que foram viver para
perto da foz
de um rio importante
onde os dois
(antigamente)
nunca estiveram
Não sei se foram felizes
ou não
mas que fizeram muitos
e bons disparates
lá isso fizeram
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Poema
Há aves aflitas
no íntimo de certas
palavras
O mesmo acontece
quando te deitas
ou quando te levantas
Enquanto as aves procuram
espaço no interior
das gargantas das palavras
No teu corpo
a pele liberta a voz
de aves infinitas
no íntimo de certas
palavras
O mesmo acontece
quando te deitas
ou quando te levantas
Enquanto as aves procuram
espaço no interior
das gargantas das palavras
No teu corpo
a pele liberta a voz
de aves infinitas
sábado, 7 de novembro de 2015
1, 2, 3, Ação!
(clique na imagem para a visualizar melhor)
O regresso de mais uma personagem mítica da BD franco-belga: Bernard Prince. Que comece a aventura. É já para a semana. Com o jornal Público, pois claro. De 11 de novembro a 27 de janeiro de 2016. Todas as 4ªs feiras. Que bom!!!
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