quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poema

Quis tocar o céu
e o céu fugiu

Depois percebi
que céu é céu

não é seu

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Time & Space


Absolutamente noturno, vagueante, paisagístico. Fechar os olhos e ouvir Queen Elizabeth é uma ótima solução para as noites que começam a mudar o tom meteorológico. Este projeto de Julian Cope e de Thighpaulsandra já mereceu menção neste blog, mais do que uma vez. A primeira parte dá pelo nome de Superstar (34:00), e a segunda tem o belíssimo título de Avebury: The Arranged Marriage of Heaven and Earth (31.30). Ambas apresentam-se como 2 Spontaneous Concertos For Time & Space. Tenho esta obra há quase 10 anos, e volto a ela várias vezes. Emerge à superfície da minha vida auditiva em momentos de maior necessidade de vazio, de silêncio. Nesses instantes (um pouco mais de uma hora) Queen Elizabeth é um previlégio, uma benção, uma espécie de sopro divino. Brisa cósmica. É exatamente disso que se trata.

* trata-se, possivelmente, do disco menos amado (estou a ser simpático) da vasta obra de Julian Cope, mas eu não alinho nisso...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Deux Filmes Cultes!

Com a febre crescente do filme de Spielberg e da mais célebre personagem de Hergé, muito comércio se tem feito (e se fará) aproveitando o vento de feição. Agora chegou a vez de dar nova cara (e formato) às antigas, e pouco conseguidas, longas metragens Le Mystère de la Toison d'Or e Les Oranges Bleues. A embalagem que junta os dois filmes é extremamente apelativa, convenhamos. Eu já há muito que possuo os ditos filmes, e já vai sendo tempo de voltar a passar os olhos por eles, não vá terem crescido um pouco, tornando-os um pouco mais interessantes.

domingo, 18 de setembro de 2011

Luz pequena

Haverá sempre uma luz
a brilhar
na escuridão que existir

Luz pequena
luz tranquila
incapaz de se extinguir

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poema

Envelheci
tornei públicos
os medos que os corpos
anunciam
quando se avolumam os outonos

Envelheci
e coleciono já as sobras
de despojos e abandonos

terça-feira, 13 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um jogo para tintinófilos


Para quem é, como eu sempre fui, um fervoroso adepto de Tintin, deixo-vos aqui um magnífico jogo. Só tem de encontrar 50 referências ao universo da personagem e dos seus livros, sinalizando-os. Uma autêntica maravilha! Dá algum trabalho, aviso já. Mas desde que se seja conhecedor da obra, não há que desesperar.


A pouco mais de um mês da estreia do tão desejado filme de spielberg e companhia, há centenas de produtos de toda a ordem para nos maravilharmos. Eu ando (quase) histérico com tudo isto, e já se nota, como poderão ver em próximos posts deste I Blog Your Pardon.
É só clicar aqui.

domingo, 11 de setembro de 2011

I gotta wait for Waits!

Nada há a fazer a não ser esperar. Esperar por Bad as Me. Parece que sairá a 25 de outubro.

sábado, 10 de setembro de 2011

Poema

Aquele que souber procurar
encontrará sempre um sinal
uma lembrança de voz
nos ramos da árvore imensa
que cresce com o tempo
e nidifica a cada passo
a cada som e a cada olhar

Aquele que souber procurar
encontrará o que o tempo não poliu
o que ficou do que houve há muito
e que por ser tanto se extinguiu
visto que a existência
(coisa menor e tão intensa)
não recorda o instante que pariu

Aquele que souber procurar
encontrará na inocência das palavras
os versos turvos que escreveu
sem saber ler o que escrevia
pois que a vida dos poemas
não se faz de mãos pequenas
e vive para além de Deus

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Poema

Há uma pele
que vestiste
e que guardas
arrumada
na gaveta do que foste

Uma pele que fenece
remendada
pela erosão do tempo
e que
a qualquer momento
não será mais pele guardada
nem forma
de acolhimento

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fim de férias

E pronto! Está feito. As férias tiveram fim, e começa tudo outra vez. O I Blog Your Pardon "voltou ao trabalho".

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Começar setembro, lembrando amigos distantes

Para o Mido e para o Ruca.

Milton Nascimento - Unencounter (Original 1979) Canção da América, em Inglês.


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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Férias de verão

O I Blog Your Pardon encerra para férias. Voltará em setembro, em dia incerto, porque a vida é mesmo assim. Até lá, como é costume, um ou outro post surgirá por aqui. Basta aparecer, para dar conta do que lhe digo agora. Até breve, então. E boas férias.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eleanor Friedberger

Sempre gostei dos The Fiery Furnaces, embora não seja uma banda para se ouvir todos os dias. A novidade é que agora a mana Eleanor tem disco a solo, e é francamente mais Pop do que os discos da banda que tem com Matthew, seu irmão. Tudo sem pisar a linguagem mainstream, felizmente. Coisa fina, com muito bom gosto indie, como convém. Boas notícias, portanto. Tão boas que Eleanor Friedberger vai connosco para férias. A minha mulher não se incomoda, apesar de tanta beleza junta num só corpo, e numa só voz. Last Summer é o meu primeiro summer com Eleanor Friedberger. Estou ansioso. Partimos já amanhã.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Anos 2000


Desde o início deste novo século que Milton Nascimento tem espalhado a sua voz por projetos de outros artistas. Quem conhece um pouco da história do compositor e cantor mineiro, sabe que Milton nunca se escusou a ideias deste tipo, e sempre albergou na sua própria obra várias vozes e participações de muitos outros companheiros de profissão. O que se apresenta agora, saído recentemente no Brasil, é este Milton Nascimento - Anos 2000, cujo repertório do disco faz crescer água na boca.

1. Imagine (John Lennon) - com Gilberto Gil
2. Coisa nº 8 (Navegação) (Mike Mine Blue) (M. Santos, R. Werneck e Nei Lopes)
3. Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense) - com Luiz Gonzaga
4. Angelus (Milton Nascimento) - com Leonardo Bretas
5. Sino, Claro Sino (Capiba e Carlos Penna Filho)
6. Milagre dos Peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant)
7. Caça à Raposa (João Bosco e Aldir Blanc)
8. Enfim S.O.S. (Sérgio Godinho) - com Sérgio Godinho
9. Encontros e Despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Simone
10. Cigarra (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Simone
11. Trem do Horizonte (Christiaan Oyens) - com Christiaan Oyens
12. Luamar (Gustavo Carvalho) - com Gustavo Carvalho
13. Raça (Milton Nascimento e Fernando Brant) - com Fafá de Belém
14. Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) - com Erasmo Carlos
15. Discovery (Lula Queiroga) - com Marina Machado
16. Planeta Sonho (Vermelho, Flávio Venturini e Márcio Borges) - com 14 Bis
17. Há de Ser (Jorge Vercillo) - com Jorge Vercillo
18. Circo Marimbondo (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) - com Pedro Bernardo
19. I'd Have You Anytime (George Harrison e Bob Dylan)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poema

O coração bate
porque não sabe
fazer outra coisa
senão bater

E quando pára
não se apercebe
que já não é
tempo de aprender

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os sonhos não envelhecem

A cama de todos os sonhos, de todas as fantasias, de todos os prazeres. Fellini nunca lhe mudou os lençóis, mas a cama permanece imaculadamente limpa. Os sonhos não se conspurcam, porque os sonhos, na sua ingenuidade, não envelhecem.

* imagem de La Città Delle Donne, de Federico Fellini

sábado, 6 de agosto de 2011

Uma cena de filme

O Senhor Stein sentou-se na esplanada onde há muito, nas tardes de verão, gosta de beber algo refrescante. Depois de se acomodar e pedir o que desejava, reparou num indivíduo sentado no outro extremo da esplanada, lembrando-se imediatamente daquela cara, embora não do nome desse velho colega do tempo de liceu. Pouco depois, o indivíduo também reparou no Senhor Stein, e a troca de olhares entre ambos foi constante, tentando cada um deles disfarçar um pouco o embaraço típico dessas ocasiões, pelo que o Senhor Stein se levantou, pagou a sua conta e desapareceu por entre as pessoas que caminhavam, atarefadas, pela rua. Toda aquela cena o incomodou. Toda aquela cena era demasiadamente fassbinderiana para o seu gosto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

La Città Delle Donne

La Città Delle Donne é uma das últimas obras de Federico Fellini, e isso já quer dizer alguma coisa. A vertente onírica dos seus últimos trabalhos revela-se bem aqui. O sonho é o filme, e o filme é uma deambulação pela ideia do sonho. Pelo meio existem muitas mulheres com comportamentos libertários, feministas, e um homem de nome Snàporaz (que belo achado fonético!), interpretado por Marcello Mastroianni. O universo surrealista do filme não traz nada de novo ao espaço felliniano, mas a montagem da obra, a beleza de certos cenários, a música de Luis Bacalov, a loucura desregrada (passe o pleonasmo) dos 134 minutos de película, valem bem a pena. Gosto, muito particularmente, das tecituras que unem A Cidade das Mulheres a Oito e Meio, para mim o feito maior do cineasta italiano. São muitos os pontos concordantes entre as duas obras, e até algumas cenas - mas uma especialmente -, aproximam os filmes em questão. Numa altura em que o cinema vive na indecisão entre vários formatos, sendo o 3-D o filão mais recentemente explorado, ver La Città Delle Donne é um exercício retrô que muito me agrada. Viva Fellini!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Regimes

O prosador sofre de obesidade verbal. Já o poeta vive, quase sempre, num estrito regime vocabular.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Poema

Sei que ao poeta
se exige o sol
quando nas mãos
se encontra a sombra
do que é

Na mão que escreve a luz
das palavras no papel
há sempre um sonho de fé

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ziggy

Diz-se, sem grande surpresa minha, que este disco mudou a vida de toda a gente, embora nem toda a gente se tenha apercebido disso. A capa é icónica, o conteúdo também. Adoro a capa, adoro o disco, embora, e mais uma vez, tenha chegado a ele já bem lançado nos meus trintas... No fundo da Heddon Street, local da foto, ficava o primeiro night-club londrino, o famoso The Cave of The Golden Calf (aberto em 1912). Este pedaço de história ficava mesmo bem numa sala que fosse minha.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poema

Quando o poeta
faz um verso
pouco acontece
nada muda

Um verso é a voz
surda do tempo
que nele passou

Quando o poeta faz um verso
nada do que disse ali ficou