sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Sr. Chinarro


Já ando há vários dias com este novo disco do Sr. Chinarro nos ouvidos. Já escrevi sobre ele para o Altamont, e isso fez-me ainda mais íntimo dele. É um excelente regresso à forma, depois de dois discos menos conseguidos. Qualquer dia vou a Espanha só para o ver. Não há coisa que mais me apeteça de momento.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Caminhar


Ele regressa. Todos os anos é assim. Caminho atrás de ti até dia 21. Depois caminharei contigo, uma vez mais.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Poema

Agora que o silêncio nos diz tanto
agora que é tão pouco o que ficou
da vida e do seu fim inesperado

Agora que só há o que acabou
era bom ser-se imortal mais um bocado

* para a minha amiga Indira, que partiu cedo rumo à eternidade

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Poema

Das pessoas
só quero o que não
fizeram
e o que não
pensaram

Só assim abro as portas ao futuro

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Poema para Adélia Prado

O livro aberto num poema
de Adélia Prado
ensina-me a guardar
o sotaque bom
do seu perfume

Quem sabe se tudo isto
um dia inflama
tornando-se voz
do meu próprio lume

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Arte Plural

A arte plural: ora contempla os olhos, ora contempla os ouvidos.

(Tarsila do Amaral, Abaporu, 1928)



Gui Boratto, Abaporu, 2014)

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Fim de férias


Estive de férias com os Joy Division 
(mais interessante a companhia, do que o tempo verbal utilizado)

sábado, 23 de Agosto de 2014

...
As férias estão em andamento, por isso nada mais importa. Regressarei em setembro. É aguardar, lembrando que o tempo passa num ápice. Até já.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Parabéns, Caetano Veloso!


...


(o tempo também passa por ti)


(por seres tão inventivo
e pareceres legítimo
tempo tempo tempo tempo
és um dos deuses mais lindos)

sábado, 26 de Julho de 2014

Poema

Estendo-me ao comprido
e reparo na extensão que ocupo

é mínima
e nela não cabe sequer
parte dos sonhos que vivo

onde se encontrarão então
e o que representam
essas imagens de futuro

Não por certo
o lugar seguro e breve
do corpo estendido

sem espaço em si
para dar lugar a estas
linhas sem sentido

terça-feira, 22 de Julho de 2014

domingo, 13 de Julho de 2014

domingo, 6 de Julho de 2014

Domingos de Azevedo


O meu pai ofereceu-me, há poucos dias atrás, o livro que a imagem documenta. Comprou um para si, outro para mim. O autor é um velho amigo do meu pai, repórter viajante do mundo, homem sempre  pouco capaz de se vergar a dependências profissionais ou outras de igual melindre. Há muito que devia a si mesmo, e aos amigos, este livro. Saiu agora, pela Chiado Editora, e nele recorda momentos que a vida lhe ofereceu. Uma ou outra passagem mostram bem o que no livro se pode ler: "como jornalista / alfinetei bastantes pessoas / mas foi como se exercesse / acupunctura / alfinetei / não sangrei / foi mais como um pontapé / no rabo" (pág.210) ou ainda, "perguntou se eu era / o domingos de azevedo / de lourenço marques / ao que respondi / o que resta dele" (pág.150). Sempre teve um sentido de humor muito particular...
Ainda me recordo de ter estado com Domingos de Azevedo uma ou outra vez, na companhia do meu pai, e do momento em que recebi dois bibelots (pequenas estatuetas que havia comprado na América Latina, e que ainda hoje existem em minha casa) que, entretanto, resolvera vender, tanta seria a "tralha" que teria em casa. Depois, já adulto e vivendo na Parede, cheguei a vê-lo a andar pelas ruas da vila, onde também habitou durante algum tempo. Sei que atualmente vive em Braga, com a filha, e que já passou por melhores dias. Mas, lendo o livro recentemente publicado, percebo que a riqueza da vida continua a estar, sobretudo, naquilo que se viveu, e não no que se pode encontrar no bolso das moedas das calças que vestimos. 
Mando-lhe um abraço, mesmo sabendo que não chegará ao destinatário. Afinal, o que importa mesmo é não dizer adeus.

domingo, 29 de Junho de 2014

Poema

Atiro uma pedra ao poema
para testar a acidez da corrosão

Não vislumbro a mínima
mudança alquímica
ou sinal de futura
alteração

Talvez por não haver química
na poesia
a não ser a física
da sua interina
combustão

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Poema

Este poema não muda o mundo

Não tem a força de uma bomba
nem a subtileza da brisa
quando começa

Por isso não me peça
que faça um poema ao seu jeito

Isso é coisa que não faço
nem mesmo quando a palavra
se avizinha em simpatias
típicas da sua idade

O que você julga ser charme
pode muito bem 
ser ansiedade

domingo, 15 de Junho de 2014

Poema

Dobrei a página do canto do dia

(há momentos em que é bom parar
apenas para contemplar o que até então
não existia)

quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Paixão de última hora


(terrível indecisão: é que a tua cara também se tornou um poema,
mas o livro é mais portátil, embora não contemple esse teu sorriso)





sábado, 31 de Maio de 2014

Dead Combo - a bunch of meninos


* o texto que poderá ler neste post foi escrito para o site Altamont, e foi um enorme sucesso de visualizações e partilhas, o que me deixou imensamente satisfeito. Estamos a falar de vários milhares de olhos que passaram a vista pelo texto que se segue.

Cheira a tequila e a sardinhas assadas que tresanda. Estes cabrões deixaram o pátio numa autêntica esterqueira. Só querem festas. Só querem gajas, copos e fumos de variados calibres, se é que me faço entender. Cambada de meninos! Ainda é de noite, mas o tempo avança sem medo. Tenho a garganta seca, e os bolsos vazios. O costume. Quando o sol se espreguiçar, Alfama deixará de estar assim, sozinha, e as personagens do costume sairão das suas tocas, ainda com olheiras animalescas e com os fígados doentes. Para já está tudo calmo, mais calmo do que nunca.
Estou só, e a luz dos candeeiros divide em quatro a minha sombra no chão. Parece que tenho companhia, mas sou apenas eu. Estar só é uma coisa lixada. A solidão, quando acompanhada de álcool à mistura, pode dar uma bela história. Mas uma história triste, certamente. Avanço até à porta do café do Rick, já fechado. Apuro o ouvido, e parece-me ouvir lá dentro uma espécie de fado, qualquer coisa a lembrar uma melodia em tom triste e dormente. Deve estar nos meles, a comer a gaja do costume. A do costume, ou outra qualquer, que o sacana tem saída. Deve ser do sotaque manhoso. Só pode. A de ontem tinha umas pernas que pareciam autoestradas, e malhas nas meias que faziam lembrar pequenas lesmas a andar, quando se bamboleava. Pequenas lesmas! Um gajo tem cada ideia, quando está meio entornado… O sacana do Rick sabe-a toda. Deixou os caubóis e veio gozar o sol aqui da terra. Diz que prefere o povo de cá. E que gosta de fado misturado com outras músicas. Talvez esteja certo. Mas eu não sei se essa conversa me convence… Hoje nada me convence, nem faz sentido, essa é que é a verdade.
Reparo agora que o cheiro a tequila também vem de mim. Cum caraças! Que bafo! Se o café estivesse aberto, mesmo assim, ainda bebia mais uma, mas acho que tinha de ficar a dever. Ontem também fiquei, mas sou de boas contas. Bebi umas quantas e fiquei a ouvir os gajos que lá tocaram a noite toda, quase até ser dia. Dois tipos com pinta. Um de guitarra, chapéu a cobrir-lhe as fuças, sapatinho branco à pintas, e outro mais apinocadinho, de barbicha e contrabaixo. Ganda som! Fizeram-me sentir marinheiro, como o meu pai. Não sei se já vos disse, mas a solidão é uma cena lixada. Parece que nos come a carne até aos ossos. A bebida sempre ajuda um pouco, e sempre se viaja sem gastar muito guito. México, Chile, Argentina, um pezinho de dança num tango fadista, uma rockalhada para impressionar as gajas, mas tudo com calma, com estilo. Ya, os gajos eram bons! Não sei como é que o sacana do Rick descobre estes marmanjos e os mete a tocar naquela espelunca.
Ontem, ao ouvir os gajos, fechei os olhos, e quase chorei. Imaginei-me marinheiro, como o meu pai. Acho que já tinha dito isto, não já? Desculpem lá, mas não dá para mais. Ainda senti a brisa dos mares distantes, ontem, ao ouvir os gajos, de olhos fechados, e isso fez-me bem. Queimei o dedo com a ponta de um cigarro que parecia adormecido. E logo agora esta merda tinha de estar fechada. Abre essa pôrra, Rick! Mas nada. Acho que já nem música se ouve lá dentro. Deixa ver… sim, não se ouve um gemido, sequer. A farra já deve ter acabado, que ninguém aguenta a noite toda com uma gaja daquele calibre. O melhor é acender mais um cigarro (o último, caraças!) e meter-me a caminho. No estado em que estou, se algum mafioso daqui me apanha, já nem a casa chego. Que se lixe! Bora lá. Devagarinho, que é para ver se chego a Chelas sem me espalhar ao comprido.

quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Londres, uma vez mais (IV)


Uma preciosidade! Em Covent Garden, esta dupla conversava, enquanto eram filmados para alguma cadeia televisiva (suponho eu). Reparem nos pormenores das roupas, no ar dos dois antiques. A imagem fala por si.

quinta-feira, 15 de Maio de 2014

Londres, uma vez mais (II)


I'm not a mod! Mas, na verdade, algo sempre me fascinou nessa cultura so british. No Soho vivemos esse espírito, pelo que na imagem não importa outra facto, que não o espírito da coisa.

segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Londres, uma vez mais (I)


From London with Love!

Desta vez com a família. Quatro dias muito bons, mas que souberam a pouco. Londres e nós. E agora, que tudo acabou, Londres em nós.

quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Poema

Não se ama
quando se ama

Talvez vivamos
na instância do amor
de sofrer com alegria
e do prazer dessa dor

domingo, 27 de Abril de 2014

Eles estão a chegar!

Pré-encomenda feita. Agora só me resta esperar. Os Blondie estão de volta, e comemoram os 40 anos de carreira!