sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Poema

Chegou para ficar
a notícia da tua morte

Que má sorte o dia
em que o sol fingiu nascer

Pudera eu ficar contigo
e a manhã não se faria

Assim tão negra
e tão vazia

Fazendo-me duvidar se eras tu
ou era eu que aí morria

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

(I Am Still Touched by Your) Presence, Bowie.


Capa da revista Uncut de março próximo. 
Mais um tributo ao génio.

* o título deste post recorda uma conhecida canção dos Blondie, um dos poucos ídolos vivos da minha juventude.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Je Suis Bowie


Caiu o pano sobre a vida de David Bowie. O mundo terá estremecido, sem que déssemos conta de que qualquer coisa estranha se passava. Devia estar a dormir, seguramente, mas quero acreditar que uma bonita melodia atravessou a minha noite, fazendo solto o sono que me embalou.
Depois, já desperto para mais um dia, recebi a terrível notícia... Era o tal estremecimento que falava há pouco. Chegou tarde, da mesma forma como eu próprio cheguei a Bowie, algo tardiamente. É que passei algum tempo a ouvir coisas que só existiram porque Bowie existiu, e não dei conta disso durante um largo período, desperdiçando horas e horas e horas a ouvir sucedâneos, em vez de dar valor ao original. Coisas da juventude, de que ainda hoje me penetencio.

Passei a manhã a dar aulas, e reservei os primeiros minutos de cada uma para falar de David Bowie. Disse aos meus alunos que eu, que tanto gosto de ser professor de Português e que não me vejo a ensinar qualquer outra matéria, gostaria de ser hoje, e apenas hoje, professor de Inglês. Se assim fosse, passaria as minhas aulas a falar do homem que inventou Ziggy Stardust, Threepenny Pierrot, The Thin White Duke e tantas outras marcantes personagens que soube encenar em toda a sua vida. A encenação, o teatro, a vida artificial, mesmo que coincidente com a verdadeira, foram o palco estético e musical de Bowie. Foi aí, nesse limbo entre o que existe e o que queremos que exista, que David Bowie soube viver, e viveu uma vida cheia, com toda a certeza. Eu continuarei a viver a minha parca vida, agora sem ele, mas sempre com ele também. Passaremos os dois, como neste preciso momento, a ouvir o que nos deixou, lado a lado. Umas vezes em silêncio, pensativo, outras de forma mais enérgica, quase rebel rebel. Nunca mais me atreverei a deixá-lo longe de mim por muito tempo. Até porque já tenho idade suficiente para perceber que a eternidade é uma mentira, sobretudo para alguns. Para Bowie, ao contrário, a eternidade não terá fim.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Os Melhores Discos de 2015


Já é uma tradição antiga aqui no I Blog Your Pardon, pelo que se repete, uma vez mais, este ano. Cá estão os eleitos!

  • 1) Kamasi Washington - The Epic
  • 2) Ana Cláudia Lomelino - Mãeana
  • 3) Julia Holter - Have You In My Wilderness
  • 4) Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
  • 5) of Montreal - Aureate Gloom
  • 6) Dônica - Continuidade dos Parques
  • 7 Benjamin Clementine - At Least For Now
  • 8) FFS - FFS
  • 9) Revolutionary Army of The Infant Jesus - Beauty Will Save The World  
  • 10) Boogarins - Manual ou Dia Livre de Dissolução dos Sonhos
  • sábado, 5 de dezembro de 2015

    Arte


    A irmã e o dentista de Grant Wood (modelos de American Gothic)

    terça-feira, 24 de novembro de 2015

    Ninguém escreve como tu

    Andei a vasculhar pens antigas e deparei com alguns textos meus que escrevi para jornais e revistas. Recuperei este, que deve ter sido escrito há uns 16 ou 17 anos, era a minha filha muito pequena. Tudo a propósito de uma extraordinária entrevista que António Lobo Antunes deu à Pública (revista do jornal Público), se não me engano, e que tinha como título Ninguém Escreve Como Eu. Deixo-o aqui, para "memória futura".

    ...

    Ninguém escreve como tu. Ninguém. E não era preciso dizê-lo. A verdade, por muito que custe a muitos, é que ninguém escreve como tu. Nem mesmo tentando, como agora, na febre da escrita às três da manhã, onde o silêncio é tanto que paro e escuto a memória já um pouco adormecida de uma voz que diz
    - «Você é um anarquista, um marginal, você pactua com o leste, você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
    e olho para o teto para aliviar os olhos no branco da tinta do teto sem as linhas do papel por cima do branco imaculado das folhas, e de súbito a voz da minha filha que me chama
    - «você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
    do fundo do seu quarto e sei que deve estar de joelhos por cima do edredon da Disney com os braços abertos para o colo que só os pais sabem dar
    - papá, papá
    largo a caneta e o caderno, tiro os olhos do branco do tecto e reparo numa ponta de humidade ( porque o inverno vai longo e húmido, pouco chuvoso é certo, mas que está a ser húmido, está )
    - papá, papá
    e os chinelos que não estão no sítio para os calçar e a voz de novo a trovejar
    - «você é um anarquista, um marginal»
    os braços da minha filha esticados para o conforto dos meus, e ao contornar a cama tropeço nos chinelos fora do sítio habitual e digo
    - já vou pipoquinha, já vou
    sempre com a ideia da voz distante que a razão não apagou ainda, procuro a luz do quarto para não tropeçar em mais nada, para não assustar a minha filha já de si assustada por sonhos que todas as crianças teimam em ter a meio da noite, a meio dos sonhos dos adultos, tomo-a nos braços e faço o percurso inverso até ao ponto de partida, esquivando-me das armadilhas dos chinelos e das vozes
    - «você aprova a entrega do Ultramar aos pretos»
    quando são já quase quatro horas da manhã e a vontade inicial destas linhas era apenas dizer que ninguém escreve como tu, António, por muito que custe a muitos, ninguém escreve como tu.
    (Os excertos entre aspas foram retirados da sua primeira obra publicada, Memórias de Elefante. )

    sábado, 14 de novembro de 2015

    Paris sera toujours Paris


    Poema

    O senhor Ricardo Reis
    nunca chegou a saber
    que a sua Lídia
    casou com
    Álvaro de Campos

    E que foram viver para
    perto da foz
    de um rio importante
    onde os dois
    (antigamente)
    nunca estiveram

    Não sei se foram felizes
    ou não
    mas que fizeram muitos
    e bons disparates
    lá isso fizeram

    terça-feira, 10 de novembro de 2015

    Poema

    Há aves aflitas
    no íntimo de certas
    palavras

    O mesmo acontece
    quando te deitas
    ou quando te levantas

    Enquanto as aves procuram
    espaço no interior
    das gargantas das palavras

    No teu corpo
    a pele liberta a voz
    de aves infinitas

    sábado, 7 de novembro de 2015

    1, 2, 3, Ação!


    (clique na imagem para a visualizar melhor)

    O regresso de mais uma personagem mítica da BD franco-belga: Bernard Prince. Que comece a aventura. É já para a semana. Com o jornal Público, pois claro. De 11 de novembro a 27 de janeiro de 2016. Todas as 4ªs feiras. Que bom!!!

    quarta-feira, 28 de outubro de 2015

    Poema

    Por onde quer que ande
    haverá sempre
    uma casa onde ficar

    (uma casa
    não é um lugar
    apenas)

    Uma casa é
    um qualquer espaço
    grande
    cheio de coisas
    pequenas

    quarta-feira, 14 de outubro de 2015

    Milton em tons de jazz


    Haverá sempre espaço para mais um disco de Milton Nascimento neste blog, mesmo quando feito em parceria. Tamarear é o mais recente trabalho do meu bom e velho Bituca.

    quinta-feira, 8 de outubro de 2015

    Poema

    Pesam as pedras
    como pesam as estrelas

    Assim o corpo pesa
    o sangue que balança

    Pesa mais o corpo adulto
    do que o sonho na criança

    sexta-feira, 2 de outubro de 2015

    terça-feira, 15 de setembro de 2015

    Primo Rufus


    E de repente, volto a ouvir ópera e a gostar do que ouço. A culpa é de Rufus Wainwright, e ainda bem que é ele o culpado, uma vez que gosto tanto dele. Prima Donna já faz parte da minha vida. Baseada em entrevistas dadas por Maria Callas à BBC quando já caminhava para o final da sua carreira, Prima Donna revela-se uma ópera acessível, cheia de sentimento, boa de se ouvir. O que mais posso querer, quando a ópera sempre foi para mim um enorme desafio, poucas vezes ganho. Agora ganhámos todos. Ganhou o Rufus Wainwright e ganhei eu.

    quinta-feira, 3 de setembro de 2015

    É sempre assim


    É sempre assim. Quando as férias acabam, começa o trabalho. Depois de 18 anos na mesma escola, talvez tenha agora de mudar. Ainda não sei, mas logo se verá. O que não mudará, isso certamente, é a vontade de ensinar, explicar, e de aprender. Os alunos não só alunos, e os professores não são só professores. Valha-nos isso. Já apetece começar. É sempre assim.

    sábado, 8 de agosto de 2015

    Chegou a hora!



    Sim, é verdade. Chegou a hora. O I Blog Your Pardon voltará em setembro. Até lá pode perder-se, mas chegada a hora, o encontro far-se-á aqui, uma vez mais. 

    sexta-feira, 7 de agosto de 2015

    73


    Parabéns, Caetano! Todos os anos são teus. 
    Os teus, e os meus. Abraçaço!

    terça-feira, 4 de agosto de 2015

    Poema

    (também as palavras 
    se aproximam 
    umas das outras
    quando estão sós)