quinta-feira, 21 de maio de 2015

E vão 34!


C'um caneco!
(o atraso deste post em relação ao dia da grande vitória
deve-se ao facto de ter estado em intensas comemorações)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Poema

Tudo vale um só aceno
no assomo final
da despedida

E a memória deixa livre
o gesto em abandono
da partida

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Poema

Foi tudo assim
repentino
o sangue do destino 
fez tudo secar
quando a chuva veio
e acabou por
me inundar

sábado, 11 de abril de 2015

Coisas novas, coisas antigas

Fosse sempre assim, a vida: 
o prazer das coisas antigas e a delícia das coisas novas.



Popol Vuh - In Den Garten Pharaos (1971)



David Sylvian e Holger Czukay - Plight & Premonition (1988)



Eef Barzelay - Eldorado 13 Slash 14 (2015)



Stealing Sheep - Not Real (2015)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Poema

Queria a água 
toda minha
imensa 
a cobrir as terras 
até ao teto
do céu

Só bem depois
mergulharia
a estranheza 
do meu corpo
até vir ao de cima
um novo eu


sexta-feira, 27 de março de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

Gong Est Mort



Há notícias que custam a digerir. Mesmo tendo sabido do acontecimento da morte de Daevid Allen no dia em que ocorreu o óbito, só agora faço menção ao facto, numa espécie de celebração de 7º dia.



Goodnight Daevid Allen

terça-feira, 17 de março de 2015

Imortalidade


Nunca tinha visto esta imagem. Por vezes olho para ela, e parece-me estar na presença de uma montagem. Mas, na verdade, isso pouco importa. Dois dos meus mais adorados brasileiros estão aqui, lado a lado, e parece-me ser a Nara Leão por trás deles. Dos três, só Caetano se encontra entre nós, fisicamente falando. Nara partiu cedo, Drummond mais tarde, mas cedo também, uma vez que o queria imortal. No entanto, é a própria imortalidade que aqui se encontra retratada. O som, a palavra, as vozes de quem viveu e vive para fazer o (meu) mundo mais feliz. 

domingo, 8 de março de 2015

É preciso amar Tom Zé (desde o início)

A editora inglesa Mr. Bongo reeditou os dois primeiros álbuns de Tom Zé. Esse acontecimento merece o meu inequívoco aplauso, e torna presente dois álbuns (os primeiros dois) do seu longínquo passado. Em boa hora, claro. Esquecidos no tempo, e afastados há muito do olhar crítico que ambos os discos merecem, Grande Liquidação e Tom Zé estão de novo disponíveis no mercado discográfico. Um deles, o segundo, ainda não o tinha em formato físico, pelo que já vem a caminho. Que chegue depressa e bem, que tem cá um lugarzinho especial à sua espera.



Tom Zé - Grande Liquidação (1968)



Tom Zé - Tom Zé (1970)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Aznavour (II)



(um homem e uma mulher)


(um homem e uma mulher: na vida como nos filmes)


(a pele e o aço)


Tirez Sur Le Pianiste é um filme de culto. Truffaut deu-nos um drama policial de grande beleza, mas o que aqui importa hoje, mais do que o filme e os seus encantos, é a presença de Aznavour. O mestre da canção também fez cinema, e bem. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Aznavour (I)


Charles Aznavour é um monstro da canção francesa, e paixão crescente em mim. Ultimamente é com ele que tenho andado, de ouvidos atentos à arte incomparável do seu canto. Também no cinema o conheço há muito, mas isso ficará para outro post. Por hoje, e para que estas linhas se tornem som e imagem, recordo apenas «La Bohème», momento mais que perfeito da sua longa carreira. A melodia, o texto, a interpretação, a voz, tudo é sublime. Deixo-vos dois videos da mesma canção por não ter conseguido decidir-me apenas por um. Vale mesmo a pena vê-los, lendo depois o texto para que o maravilhamento se complete.


a preto e branco
e a cores 



Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criais famine
Et toi qui posais nue

La bohème, La bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, La bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux

Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelques bistros
Contre un bon repas chaud
Nous prenaient une toile
Nous recitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver

La bohème, La bohème
Ça voulait dire tu es jolie
La bohème, La bohème
Et nous avions tous du génie

Souvent il m'arrivait
Devant mon chevalet
De passer des nuits blanches
Retouchant le dessin
De la ligne d'un sein
Du galbe d'une hanche
Et ce n'est qu'au matin
Qu'on s'asseyait enfin
Devant un café-crème
Epuisés mais ravis
Fallait-il que l'on s'aime
Et qu'on aime la vie

La bohème, La bohème
Ça voulait dire on a vingt ans
La bohème, La bohème
Et nous vivions de l'air du temps
Quand au hasard des jours

Je m'en vais faire un tour
A mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Don't plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts

La bohème, La bohème
On était jeunes, on était fous
La bohème, La bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Peter Greenaway is back


 2015 é ano de novo filme de Greenaway, o que é, pelo menos para mim, uma excelente notícia. O filme trata dos 10 dias passados no México pelo cineasta russo, durante os quais Eisenstein realizou o documentário "Que Viva Mexico!", sobre o dia dos mortos. A par do filme (primeira boa notícia) há ainda a banda sonora, que geralmente é excelente nos filmes do realizador. A ver e a ouvir, portanto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Poema

Ontem esqueci-me de dizer
todas as coisas que queria
o tempo é curto
eu bem sei
e tu sabes que o tempo das palavras
não tem fim
nem tem começo

Talvez por isso eu me esqueço
desde o início
de dizer o que queria
não fosse este sobressalto
este reboliço
e as palavras teriam
um dom maior e um outro viço

Mas não as culpemos assim
são tão frágeis
tão singelas
que mesmo quando não dizem
o que queria dizer-te
eu só me zango comigo
nunca me zango com elas

No fundo
o que acontece é bem simples:
o que venho aqui dizer
posso dizer-to em voz muda
no silêncio de algum verso
que ainda está
por escrever

Fica o recado assim dado
e fico eu mais tranquilo
por te dizer o que queria
é bom saber que o que digo
te satisfaz por inteiro
pois não dizer o que é dito
é o dizer mais verdadeiro

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O psicadelismo está na moda


Padrão (ou padrões) da beleza feminina com sabor a passado, no tempo presente.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Poema

(sem sofrimento aparente
a aurora rasga as horas nuas do dia
sem um só gemido seu

e quando um pássaro dormente de sono
levanta as asas abanando o céu
o dia nasce e amanheço eu)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Humor


Depois de um início de ano trágico (ver post anterior) há que olhar com sentido de humor para as coisas que mais nos agradam no mundo. Mesmo que uma certa ideia de autocensura permaneça. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Olá, 2015!


O ano de 2014 está a acabar. Sopram-se as velas desse ano quase passado, e logo outro se perfila. Aqui, neste I Blog Your Pardon, o ano que agora finda foi de alguma receção, como é moda dizer-se nos tempos que correm. E, previsivelmente, assim vai manter-se em 2015. Uma coisa é certa: não terminará. Continua a ser um espaço que me agrada, embora me tenha dividido por outros, o que implicou alguma desaceleração, digamos assim. Na verdade, o que importa é continuar, e isso será seguro nos próximos doze meses. Se nos fizer companhia, ainda melhor. Um Bom Ano para todos. Voltem sempre.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Os 10 de 2014


É já um hábito que prezo há muito. Mostrar aqui os 10 discos que mais gostei de ouvir no ano que agora finda, é um exercício que faço com muito gosto. Num ano musical marcado por muitas e boas surpresas e acontecimentos (sobretudo pelo trabalho que vou desenvolvendo com o site Altamont - Music For The Music Generation), escolher estes 10 discos não foi (aliás, nunca é) tarefa fácil. Sempre dividido entre a música que se vai fazendo com sotaques diferentes pelo mundo fora, talvez a grande surpresa venha do facto do primeiro lugar ser para um disco instrumental, e de Jazz. Enfim, talvez isso também seja sinal dos tempos. Ou melhor, do meu tempo. É também um pouco do meu tempo que aqui vos proponho. Passei muitas horas a ouvir estes 10 discos. Muitas e boas horas, e muitos e bons discos, estes e outros. Até para o ano, mais ou menos por esta altura. Era bom sinal voltarmos a estar juntos.

1) Dylan Howe – Subterranean: New Designs On Bowie’s Berlin
2) Luke Haines – New York In The 70’sDylan Howe
3) Sr. Chinarro – Perspectiva Caballera
4) Tom Zé – Vira Lata Na Via Láctea
5) Moreno Veloso – Coisa Boa
6) Damon Albarn – Everyday Robots
7) Les Big Byrd – They Worshipped Cats
8) Camera – Remember I Was Carbon Dioxide
9) Beck – Morning Phase
10) Joan As Police Woman – The Classic



Deixo ainda o meu momento musical do ano, marcado por um feliz reencontro com o vinil. O pequeno texto que redigi a esse propósito para o site Altamont, é o que a seguir se escreve: 

O reencontro definitivo com o vinil, com as “rodelas pretas” da minha juventude. Desapareceram (ou quase) da minha vida, e com esse desaparecimento esqueci-me da alegria e do prazer de andar com discos debaixo do braço, do prazer e da alegria de os tirar das capas para os colocar no prato (com a delicadeza que devemos às coisas boas), dispostos ao jugo da agulha que lhes revela a alma. Essa alegria e esse prazer deixaram de ser nostálgicos, para se tornarem presentes, uma vez mais. E para todo o sempre, espero.

* a capa em destaque é a do disco que escolhi para número 1 do meu Top de 2014.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Poema

Antes do fim
há um fim ainda maior
uma desistência prévia
que ganha força
desde o começo

Começar e findar
são as balizas
em que me meço