domingo, 26 de abril de 2009

Poema

Vem-me à ideia um caminho qualquer
um pequeno curso de água
um corredor um recanto
uma criança que assoma
à varanda dos seus dias
o som de uma mão que estala
um automóvel que apita
vem-me à ideia tanta coisa
um papel amachucado
uma canção tão bonita
uma vida pelo chão
um cigarro que fumei há muito tempo
sem nunca o ter apagado
vem-me à ideia um mar de rosas
e outras frases assim
daquelas que todos dizem
uma árvore frondosa
com frutos fora do alcance
da vontade dos meus braços
vem-me à ideia um qualquer rosto
dos rostos que nunca amei
e uma nuvem distante
que me diz que o tempo muda
se com ele mudar também

E vem-me à ideia um poema
que não interessa a ninguém

1 comentário:

Constança Simas disse...

Olá professor. Não sabia deste blog, mas já estive aqui a ver vários posts. Tanto as informações como os poemas e textos estão fantásticos, já estive aqui a ver mais umas quantas coisas. Tenho pena de nunca ter conseguido manter um blog, mas é divertido ir lá e ler coisas que escrevi e nem me lembrava. Vou continuar a ler o seu blog, algumas coisas deixam-me pensativa. (: