quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cult Movie Classics


Há muitos anos que sou comprador fiel da Mojo e da Uncut. Todos os meses levo-as para casa, mas há números em que sofro antecipadamente por tê-los nas mãos. É o caso da edição de abril da Mojo (de abril, leu bem, embora saia em março), uma vez que as páginas dedicadas às 100 Melhores Músicas de Filmes de Sempre prometem leitura sôfrega e atenta. Já não deve faltar muito para que a revista chegue a Portugal, por isso só me resta esperar e tentar adivinhar o que por lá vou encontrar. Depois, como se pode ver pela imagem, o prazer da leitura será acompanhado por um belíssimo cd. Que venha, e que chegue depressa e bem.

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

I wish


I wish I was a guitar player!
(clique na imagem para aumentar)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Kevin Ayers


Duvido que Deus te escute com atenção, Kevin! Mas, mesmo assim, tenta sussurar-lhe ao ouvido, por exemplo, Singing a Song in the Morning, e se puderes diz-nos se esboçou algum sorriso, ou coisa que o valha. Depois, não te esqueças, descansa em paz.

* Kevin Ayers faleceu no dia 18 deste mês, aos 68 anos. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Poema

Entretanto
perdi coisas
que nunca mais 
encontrei
perdi conchas
perdi seixos
perdi bem mais
do que achei

Entretanto
sem saber
fui-me perdendo
de mim
perdi rostos
perdi passos
perdi o que 
procurei

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Poema

Seria bom que soubesses o meu nome
e que nele visses indícios de estrelas
daquelas que iluminam o céu que sonhaste
mas que nunca aconteceu
seria mesmo bom que fingisses conhecer-me
tateando as formas do meu rosto
os olhos o nariz os lábios húmidos e sós
e depois visses (mostrando espanto)
que afinal não sou quem tu julgavas

Seria muitíssimo bom que sentisses esta noite
e pensasses com a tranquilidade esperada
que sem nomes e sem rostos
apenas sobra a imagem diluída
da noite em que me afogavas


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Chegar / Ficar



Sabíamos que a distância era grande, e que o tempo nos levaria ao sítio desejado. Sabíamos tantas coisas, e estávamos tão seguros das nossas certezas... No entanto, e ao longo do caminho, fomos percebendo que os instantes do percurso eram os momentos mais apetecíveis, os melhores, e que já não importava tanto o destino traçado à partida. E, assim, fomos sendo mais um pouco do que já éramos, a cada momento. Depois, muito mais tarde, percebemos ser essa uma das grandes lições da vida: o que importa chegar, se em todos os passos do caminho não conseguirmos ficar?


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Django Unchained (fim)


Confesso que nem conhecia Christoph Waltz... Devia ter vergonha, eu sei. A minha personagem favorita de Django Unchained é Dr. King Schultz (à direita, de chapéu), sem a mínima margem de dúvida. E fica para mim mesmo a promessa de ir ver mais filmes desse portentoso ator, a começar pelo anterior filme de Tarantino, Inglourious Basterds. Por isso, só agora posso dizer: I'm so pleased to meet you, Dr. King Shultz!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Django Unchained


Vejo muito pouco do cinema produzido atualmente. Poucas vezes vou a uma sala de cinema, e quando vou é quase sempre para ver filmes de animação. Filmes com atores de carne e osso, vejo-os em casa e privilegio produções mais antigas, invariavelmente francesas, espanholas, italianas, clássicos norte americanos e pouco mais. No entanto, a minha última ida a um local de pipocas e Cola foi bastante redentora. Fui ver o novo Tarantino, o maravilhoso Django Unchained! Fiquei absolutamente rendido desde a cena inicial, e entreguei-me à pura diversão que me encantou durante quase 3 horas. Abençoadas! Algumas cenas são mesmo antológicas, como a cena do Ku Klux Klan, por exemplo. Ilariante, como poucas que alguma vez vi. Não se pense, pelo que disse, que Django Unchained é uma comédia. Não é, mas quase podia ser. Como quase podia ser um western spaghetti, ou um drama de contornos históricos bem evidentes. Mas não é nada disso. É Tarantino, e essa parece-me ser a sua melhor definição. 
Quase mesmo no fim do filme, quando todo o enredo está resolvido, e quando já se espera pelos créditos derradeiros, a última grande surpresa aparece para meu delírio pessoal, e da maior parte dos quarentões presentes, estou certo: irrompe a bom som a canção Trinity (Titoli), de Annibale e i Cantore Moderni, canção principal dos filmes de Trinitá. Que momento, meu Deus! Que bela noite de cinema! És grande, Tarantino! Muito grande mesmo!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Poema


(o que faremos
quando chegar 
a primavera?

talvez nada
a não ser
vivê-la)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Poema

Nunca encontrei
nas palavras
o que elas
querem
dizer

Encontrar
é deixar
de ser

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

no pussyfooting / buıʇooɟʎssnd ou


(este disco e esta capa são históricos.
˙soɔıɹóʇsıɥ oãs ɐdɐɔ ɐʇsǝ ǝ oɔsıp ǝʇsǝ)



(espelhos ampliam a imagem e o som até ao infinito.
˙oʇıuıɟuı oɐ éʇɐ ɯos o ǝ ɯǝbɐɯı ɐ ɯɐıןdɯɐ soɥןǝdsǝ)



(para mim, no entanto, interiorizam-se.
˙ǝs-ɯɐzıɹoıɹǝʇuı 'oʇuɐʇuǝ ou 'ɯıɯ ɐɹɐd)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O sabor dos dias claros


Ouvi muitas vezes dizerem que andavas nas nuvens, e nunca percebi a verdade dessas palavras. Andavas sempre a meu lado, isso sim! O resto, aquilo que diziam a teu respeito, era coisa de gente adulta, que já não sabia há muito o sabor dos dias claros. Uns dias aparecias, e estava sol quando brincávamos. Noutros dias estranhava a tua ausência, até surgires, dias depois, pronto para horas de balouço e gargalhadas. Esses são os dias que nunca mais surgirão por trás das nuvens. Esses eram os dias de mãos dadas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O que ando a ler



De baixo para cima: revista Science & Vie - Édition Spéciale Blake & Mortimer Face Aux Démons de la Science; Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo; Ao Princípio Era Eu - Autobiografia, de António Vitorino d'Almeida; Autor, Autor, de David Lodge; A Vida em Surdina, de David Lodge; Benjamim, de Chico Buarque; Shakespeare, de Bill Bryson; Pedigree, de Georges Simenon; Catálogo de Sombras, de José Eduardo Agualusa; O Novíssimo Testamento, de Jorge Sousa Braga (sempre com o olhar atento dos meus filhos)

* este post inaugura uma nova tag

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Poema

Há um livro que não abro
sem que estejas a meu lado
sem que me ponhas o braço
sobre o ombro
e te chegues junto a mim
namorados eternos
à luz da luz de um só abraço

Só assim me atrevo
a ler as primeiras linhas
e a mergulhar no teu regaço

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Se ainda for a tempo


Emende-se, se ainda for a tempo. Purifique-se, poemando-se, e musicando-se.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O ritmo do santo Simon


Este disco de Paul Simon já tem mais de 20 anos, mas cada vez me parece mais moderno! Claro que Graceland (e tantos outros anteriores a estes dois) é um extraordinário disco, e por isso merece ser celebrado, mas The Rhythm of the Saints é do outro mundo, uma verdadeira quimera sonora, um momento marcante na música pop norte americana do início dos anos 90. Não falar dele é pecado, e desse já eu me livrei há muito tempo, uma vez que o ouço e o venero desde que foi posto à venda, em 1990.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Nada de interesse por aqui

Nada de interessante por aqui
versos uns atrás dos outros
e pouco mais

Falta um grito
que se ouça
ais dignos de algum tremor
e um soluço ainda maior

(a mão no bolso suspensa
enquanto a outra
dispensa
trocos para mais uns versos)

O olhar de quem
procura sem encontrar
o que busca
pensamentos mais perversos
do que alguma vez
escrevi
que isto que lês aqui
não é poema nem nada

Desvia os olhos do texto
segue o caminho bissexto
e serás melhor servido
que estas palavras são vãs

Se procuras uma luz
na escuridão do que vês
sopra a vela desta noite
e acende a das manhãs

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Binki & me

Faltam 136 dias até ao verão, e este disco algo ensolarado não durará (em mim) até lá, estou certo disso. Mas enquanto durar, vou-me contentando com a voz de Binki, e imaginando que canta apenas para mim. Canta-me ao ouvido Binki, enquanto te fotografo mentalmente, comigo ao teu lado, em poses tão sensuais e desconcertantes como a da capa de Adam Green & Binki Shapiro.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Poema

Por estes dias
procurarei nada ler
nada escrever
uma vez que nos teus olhos
encontro tudo
o que me dá prazer

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os Dias da MadreDeus



O primeiro trabalho dos Madredeus já tem 25 anos (quase 26, para ser mais exato), e dei conta disso há poucos minutos atrás, antes de iniciar a escrita deste post. Ouço-o enquanto alinhavo estas linhas. Afinal, paradoxalmente, o tempo parece não ter passado tanto assim, uma vez que recordo com perfeição quase todos os sons, quase todos os versos deste disco. Há muito que não ouvia Os Dias da MadreDeus, e hoje percebi que nem sequer o tinha em cd, quando o descobri numa loja em segunda mão, que costumo frequentar. Trouxe para casa o disco, e um punhado de memórias do tempo em que surgiu, em 1987. Recuei ainda mais um pouco, até aos tempos de liceu, e lembrei-me da Teresa Salgueiro, aluna (como eu) do Liceu Nacional de Queluz. Lembrei-me também do Franciso Ribeiro, que conheci mais tarde, quando os Madredeus se lançaram na aventura de se tornarem grandes e famosos, por intermédio de uma amiga e colega de faculdade que o conhecia desde criança. Assisti aos seus primeiros concertos, certo da grandeza daqueles artistas, e pressenti a importância histórica de estar ali naqueles momentos. Mas o tempo foi mesmo passando... O Francisco faleceu, a Teresa já não canta nos Madredeus, mas ainda estão bem juntos quando ponho a tocar os primeiros acordes d'As Montanhas, ou quando ouço os primeiros versos d'A Sombra, primeiras faixas do magnífico Os Dias da MadreDeus



(Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Muñoz - depois conhecido como Rodrigo Leão -, Gabriel Gomes, Maria Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poema

Teria ficado parado no tempo 

(o gelo das mãos
a tornar-se frágil
ao mínimo raio de luz)

em que me perdi a contemplar

(a água evaporou-se
e tudo secou sem que
parecesse acabar)