domingo, 31 de julho de 2011

First stop: Veneza!

O primeiro volume da coleção Rotas e Percursos (Asa e Público) saiu dia 13 de Julho, e só hoje faço um post sobre esse acontecimento (sim, acontecimento) editorial, por me ter deliciado até agora com a leitura (e análise nostálgica) da obra dedicada a Veneza, cidade onde por vezes "vivo", embora pouca gente saiba. Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello levam-nos a passear por essa cidade de água e labirintos. Levam-nos a conhecer a cidade encantada que se deita e acorda, e vive como se não fosse real, levam-nos até Murano, até Burano (tantas lembranças, tantas imagens coloridas...), levam-nos até à ilha de Lido. Esperava por este livro há tanto tempo! O meu amigo Corto Maltese disse, sobre Veneza, que "acontecem coisas inacreditáveis nesta cidade". E tem razão. Muita razão.

Roma, Nova Iorque, Florença, Marraquexe, Paraga e Bruxelas são os outros caminhos a seguir.

sábado, 30 de julho de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Poema

Ser um pouco
o que o outro
pensa de mim

Não há mentira
mais verdadeira
em eu ser assim

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Caetano Gadú

Com um enorme agradecimento à minha amiga Márcia. O que aqui ouço e vejo quase me leva às lágrimas. Caetano e Maria Gadú em cd duplo, e dvd! Consegue imaginar Beleza Pura, Sampa, Vaca Profana, Trem das Onze, Odara, Bela Flor, Shimbalaiê, Sozinho ou Alegria, Alegria na voz de ambos, em conjunto ou isoladamente, apenas ao som dos violões de ambos? Não consegue? Então é melhor ouvir. E ver!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Milton, por escrito

É o que ando a ler, agora. Milton Nascimento é para nos ocupar os sentidos. Para ler, ouvir, e ver. Sempre com igual gosto. Salvé, Bituca.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Poema

Entra e senta-te
se quiseres

Tens de mim
tudo o que vês

Um olhar perdido
e um campo de malmequeres

domingo, 24 de julho de 2011

Sondagem I Blog Your Pardon

Caro leitor: à direita deste blog encontra-se um espaço destinado a si. Nele pode votar nas etiquetas que mais gosta de ler por aqui. Agradeço a sua participação. E volte sempre.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Poema

Para que serve um verso
se ninguém o tem por certo?

Ou pior ainda um poema
que depois de lido ninguém lembra

Servirá a palavra apenas
para dizer coisas pequenas

Percebendo-se a incongruência
de serem nossas algemas

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Os amigos são para as ocasiões

Amigo, conto contigo para o trabalho de correção de exames que aí vem. Pode ser? Obrigado.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O aniversário

O Senhor Stein, depois de ter convidado todos os seus vizinhos para a sua festa de anos, e chegada a data e hora marcadas, constatou que ninguém se dignou a aparecer. Pensou sobre o acontecido, e agiu prontamente: de madrugada, quando a noite é só silêncio, deixou à porta de cada um dos vizinhos convidados um discreto guardanapo de papel branco, com uma fatia de bolo de chocolate. Em seguida voltou para casa, e deitou-se com um sorriso indefinido nos lábios.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Meu Coração

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender!!!

* primeiros dois versos da canção Meu Coração, de Arnaldo Antunes.

domingo, 17 de julho de 2011

Eduardo e Mônica


Um clássico dos saudosos Legião Urbana, um clássico da minha vida, uma clássica história de amor. A Vivo fez um filme para a canção, e tornou-a presente aos nossos olhos. Apetece-me agradecer a quem teve esta magnífica ideia!

sábado, 16 de julho de 2011

Poema postal

Lamber o teu corpo
e colá-lo em mim

Como selo em envelope
sem destino ou fim

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um truque

Ando à procura
de palavras
para escrever
a vida inteira

Assim prolongo
a existência
protelando a derradeira


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sucker for Soccer

Esta é apenas uma das belíssimas imagens que poderão ver aqui. Os monstros sagrados do futebol, e a estética retrô de Zoran Lucić.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fim intemporal

São doces as lágrimas de amor. Doces também os olhos, ainda turvados. O sol, a sombra, o dia a nascer, timidamente. Lembro-me bem da constelação no ombro, na pele, do universo humano, intemporal. Deitei-me a teu lado mais que muitas vezes, e até à vez final.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Basta um pequeno sopro para desaparecermos. Um sopro cósmico, vindo sabe-se lá de onde, sendo que há, por vezes, brisas de vida que chegam e que passam sem que isso nos afete. Um sopro sombrio, infiel, traidor. Como se a vida, toda ela, fosse um capricho endeusado, misto de carne e de pó. Basta um pequeno sopro. Um sopro, só.

* imagem retirada de Olhar Macro

domingo, 10 de julho de 2011

O fugaz momento

O Senhor Stein deitou-se para uma agradável noite de insónia. Era assim, utilizando essa expressão, que designava as horas que tinha pela frente, quando se aproximava o momento de se deitar. Depois, esperava pelas ideias que se desenrolavam na escuridão envolvente, e que lhe preenchiam as horas até dormir. Tentava sempre, no dia seguinte, lembrar-se do último pensamento havido na noite anterior, segundos antes de adormecer. Nunca o conseguiu. Mas nunca desistiu. Levava sempre para a cama um pequeno caderno na esperança de que um dia, assim o desejava, seria capaz de registar esse fugaz momento pensante.

sábado, 9 de julho de 2011

Divertimento Pop

Gosto do universo Pop. Sempre gostei, até da fonética associada ao termo. Há qualquer coisa de espumoso que dele vem, e que me agrada. Gosto também de pensar que gostar de Pop é uma forma de retardar o envelhecimento. Mas o termo (e a ideia implícita ao termo) envelhecimento não é nada Pop, daí a minha consciência de que gostar de Pop não é uma coisa simples, principalmente se pensarmos sobre o assunto. Preciso de uma dose de Pop, como um comprimido para viver melhor. Para o dia de hoje, ser Pop implica uma t-shirt amarela, umas calças de ganga velhas (com um ligeiríssimo rasgão sobre o o sítio do joelho esquerdo), um par de All Star azuis e discos de vinil debaixo do braço. Mas a descrição feita na frase anterior a esta tem mais de 25 anos, e sou eu que ali estou, a sair de casa, dirigindo-me a casa dos meus amigos do prédio ao lado do meu, para mais uma tarde de boa música. A memória é uma coisa Pop, e isso pode ser um problema. É difícil ser Pop aos 43 anos, mas convém não pensar nisso. Vendo bem as coisas, já tive os meus 15 minutos de fama, embora o mundo não se tenha apercebido disso. A Pop é uma idade, e essa idade tive-a quando não pensava que era Pop. E assim, antes que este texto começa a ser uma espécie de versão Pop de certas ideias pessoanas, o melhor é acabar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poema

Pode o silêncio
estar repleto
de palavras
sem os rostos
de outros tempos

Pode o silêncio depender
das brisas e dos ventos
e ser a causa
de alegrias e tormentos

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Good ol' Nick!

Novo quadro para esta minha nova sala. Como fã absoluto de Nick Cave, este The Boatman's Call teria de ser o escolhido para figurar neste recente espaço virtual. A capa diz bem do disco que está por dentro: sombrio, poderoso, cru. Talvez nunca uma capa de Nick Cave fosse tão coerente como esta. Ou talvez não, mas nada disso importa agora. A fotografia é de Anton Corbijn, fotógrafo e cineasta neerlandês, que tem no seu currículo outras capas icónicas, como Vienna, dos Ultravox, ou Automatic For The People, dos R.E.M. A sala começa a ficar a meu gosto, mas há ainda muito espaço em branco nas paredes que a limitam...

terça-feira, 5 de julho de 2011

The perfect jazz collection 2

Depois da primeira box, eis a segunda! Já está à venda desde dia 27 do passado mês, e é tão apetecível quanto a primeira. Como essa já há muito a tenho, resta-me comprar esta irmã gémea. Os 25 discos são os seguintes:

Duke Ellington - Ellington Uptown

Dave Brubeck - Jazz Goes To College

Louis Armstrong - Satch Plays Fats

Miles Davis - Round About Midnight

Various Artists - The Sound Of Jazz

Charles Mingus - Mingus Ah Um

Sonny Rollins - The Bridge

Paul Desmond - Desmond Blue

Thelonious Monk - Underground

Freddie Hubbard - Straight Life

Mahavishnu Orchestra - Birds Of Fire

Clifford Brown - The Beginning And The End

George Benson - Beyond The Blue Horizon

Wayne Shorter - Native Dancer

Gerry Mulligan & Chet Baker - Carnegie Hall

Chet Baker - She Was Too Good To Me

Jim Hall - Concierto

Stanley Clarke - School Days

Return To Forever - Romantic Warrior

Weather Report - 8:30

Dexter Gordon - Round Midnight

Carmen McRae - Carmen Sings Monk

Wynton Marsalis - Standard Times Vol.3

Nina Simone – Silk and Soul

Aretha Franklin – Unforgetable A Tribute To Dinah Washington




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Qualquer Coisa (a outra metade é Jóia)


Qualquer Coisa é a outra parte de Jóia. Os dois discos são gémeos de nascimento, embora com algumas diferenças bem audíveis. Durante bastante tempo preferi Qualquer Coisa, depois deu-se o contrário. Hoje, a minha postura volta a alterar-se: não consigo decidir-me. E ainda bem. Ouço os dois e contento-me por existirem. Qualquer Coisa é instrumentalmente mais cru, com muitos temas de voz e violão, apenas. A canção de abertura (Qualquer Coisa) é um clássico absoluto da carreira do mestre baiano, e pelo meio do disco outros clássicos lá se encontram facilmente, embora nunca chegassem a ter esse estatuto público. Mas vamos aos destaques, depois da já referida pérola inicial: Samba e Amor, Madrugada e Amor são canções que andam de mãos dadas, e Jorge de Capadócia é um hino injustamente esquecido. Depois há as três canções dos The Beatles (Eleanor Rigby, For No One e Lady Madona) apenas com voz e violão, ou quase. Mas deixo para o fim deste texto quatro superlativos momentos: Da Maior Importância (cuja letra é bem a imagem da gíria tão caetaneante daquela altura); Drume Negrinha (soberba canção de embalar); La Flor de La Canela (com uma força muito particular, que apetece cantar e cantar...); e Nicinha, minúscula na extensão, mas de enorme melodia cativante. Os versos, dedicados à sua irmã de criação, são muito bonitos, e escrevem-se assim:

Se algum dia eu conseguir cantar bonito
Muito terá sido por causa de você, Nicinha

A vida tem uma dívida
Com a música perdida
No silêncio dos seus dedos
E no canto dos meus medos
E no entanto, você é a alegria da vida

Ouça-se Qualquer Coisa e escute-se Jóia, um atrás do outro. É o que gosto de fazer há mais de vinte anos.

* a capa de Qualquer Coisa (simbolicamente desfocada) pisca o olho a Let It Be, dos The Beatles, como é fácil perceber.

domingo, 3 de julho de 2011

Poema

Acerta o passo
que o passo certo
depende do acerto
do passo acertado

Não te baralhes no passo
dado sem acerto
que é certo o engano
do passo infundado

(um passo descompassado
não te leva a nenhum lado)

sábado, 2 de julho de 2011

Valle(u), Gavin!

Se o Brasil fosse ao virar da esquina, já teria esta fabulosa box. Mas como não é, vai demorar um bocado mais de tempo. A caixa encerra toda a discografia de Valle, na extinta Odeon, entre os anos de 1963 e 1974. São 10 cds originais (com faixas extra) remasterizados por Charles Gavin (que pelo trabalho já realizado neste domínio com tantos outros músicos merece o meu incondicional aplauso) e mais um feito de extras muito especiais, intitulado The Lost Sessions. Ter nas mãos, e nos ouvidos, discos como Previsão do Tempo, Garra, Vento Sul, bem como todos os outros que fazem parte deste melodioso objeto sonoro passa a ser a minha atual obsessão.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Autoamerican


Há quem diga, e eu concordo, que Autoamerican é o Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Blondie. Grande definição! Este é o disco que mais me fascinou até hoje, dos vários que a banda norte americana já gravou. Quando surgiu, e durante muitos e muitos meses, não ouvia outra coisa de maneira tão insistente como ouvia Autoamerican. Europa, numa primeira escuta, deixou-me arrasado (pareceu-me um início de soundtrack de ficção científica), deixou-me fascinado, rendido. Live It Up (que até hoje me parece ser uma canção que o mundo nunca escutou com a devida atenção) é brilhante; Here's Looking At You foi um prenúncio (inconsciente) dos embalos jazzísticos que mais tarde soariam tão bem na voz de Debbie Harry. Sobre The Tide Is High e Rapture a história já tudo afirmou. Mas Autoamerican tem muito mais: tem Angels On The Balcony (das melhores canções de sempre dos Blondie), tem Faces, tem Do The Dark, T-Birds (forte, potente, um autêntico furacão), Go Through It, Walk Like Me (outro furacão sonoro) e Follow Me, que fecha com chave d'ouro esta quinta aventura de Debbie, Stein, Burke, Destri, Infante e Harrison. Mike Chapman continuava a fazer milagres na produção, embora a banda já desse claros sinais de desmembramento. A crítica foi muito diversa na forma como se referiu ao disco, o que não é de espantar, tal a diversidade dos temas e dos estilos de Autoamerican. Para mim, fiel e atento fã dos Blondie, este é um marco incontornável no meu percurso de ouvinte. A ouvir, sempre e sempre mais uma vez.


(contra-capa de Autoamerican)